Curitiba terá a oportunidade, no próximo fim de semana, de assistir a dois primeiros bailarinos da companhia American Ballet Theatre (ABT). Eles serão protagonistas de Don Quixote (confira o serviço completo do espetáculo), espetáculo montado pela escola Petit Ballet nos dias 26 e 27, no Teatro Positivo.
Comemorando os 30 anos da instituição, a diretora Rita de Cássia Monte Correia espera estimular a apreciação do balé clássico entre o público curitibano. "Don Quixote é um espetáculo muito alegre. Permite mostrar o domínio da técnica e expressão artística, já que contém muita encenação", contou à Gazeta do Povo.
A argentina Paloma Herrera já veio a Curitiba a convite da escola em 2008, dançar O Corsário, do mesmo coreógrafo de Don Quixote (Victor Marius Petipa). Aos 35 anos de idade e 20 de carreira, a primeira bailarina é considerada perfeccionista o que não deixa de causar apreensão entre os alunos da escola que contracenarão com ela. "Ela está próxima da perfeição", elogia Adriana Mugnaini, integrante do corpo de baile do espetáculo e ex-aluna da Petit Ballet.
Paloma interpreta Kitri, mocinha da história. Seu par romântico, Basílio, é vivido por Cory Stearns, que se tornou primeiro bailarino do ABT há poucos meses, aos 25 anos.
Dançam ao lado deles 12 bailarinos da Escola do Bolshoi de Joinville e cerca de 40 alunos da Petit Ballet de Curitiba (leia sobre alguns deles no texto abaixo). A presença dos dois na capital paranaense ocorre após uma turnê pelo Japão com o ABT.
Trama
O cavaleiro louco de Cervantes e seu fiel escudeiro Sancho Pança não são os protagonistas no balé Don Quixote. A trama se baseia em dois capítulos do romance, descritos lá pela página 600, em que os camponeses Kitri (no original, Quiteria) e Basílio querem se casar, mas antes precisam passar pela competição com Gamache (Camacho), que pede a mão da moça a Lourenço, o pai da protagonista. No fim, como no livro, a intercessão de Don Quixote é fundamental para que Kitri e Basílio possam ficar juntos.
O casamento é representado em alto estilo com um pas de deux, quando os primeiros bailarinos dançam sozinhos uma coreografia complexa que demonstra o seu virtuosismo aquilo que os diferencia do corpo de baile e dos demais solistas. "É uma coreografia difícil que reúne todos os elementos do balé clássico: giros, adágio, equilíbrio; mas com alto astral. A bailarina está sempre sorrindo", descreve Adriana.
Fazer esta montagem era um sonho de Rita, que integrou o corpo de baile do Balé Guaíra por 12 anos e faz uma aparição em Don Quixote.
A coreografia original foi criada por Petipa para o Bolshoi russo e estreou em 1869, com música de Ludwig Minkus (que será executada em playback nas apresentações do próximo fim de semana). Em 1980, o ABT criou sua própria versão, pelas mãos de Mikhail Baryshnikov. Com base nisso, Rita dirige o espetáculo a ser encenado em Curitiba, com algumas adaptações.
Cenário
Fazendo referência aos campos espanhóis onde se passa o romance, o cenário costuma trazer árvores mediterrâneas, pátios de vilarejos e um clima "quente". O figurino é repleto de saias com babados, leques, toureiros e ciganos. Em meio a esses elementos e ao protagonismo do par romântico, o "Cavaleiro da Triste Figura" faz suas proezas, como caçar dragões na forma de moinhos de vento.
Serviço:
Don Quixote (confira o serviço completo do espetáculo). Teatro Positivo Grande Auditório (R. Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5.300), (41) 3317-3283. Dias 26, às 20h, e 27, às 19h. R$ 40 e R$ 20 (meia).



