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Dream Theater traz “heavy metal erudito” a Curitiba

No Curitiba Master Hall: a banda está à frente do estilo “metal progressivo” |
No Curitiba Master Hall: a banda está à frente do estilo “metal progressivo” (Foto: )
O vocalista James Labrie |

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O vocalista James Labrie

Alguns estudiosos defendem que o heavy metal tem raízes profundas na música erudita, especialmente nos trechos em que a velocidade das notas e a complexidade matemática das composições podem desagradar ouvidos mais desavisados. Independente de isso ser verdade ou não, Curitiba recebeu na última quinta-feira um quinteto que leva essa ideia a sério: o Dream Theater.

Formado no meio dos anos 80 por ex-estudantes do Berklee, considerado o maior conservatório independente de música do mundo, em Boston, a banda está à frente do estilo que se convencionou chamar de "metal progressivo". A distribuição de nove músicas em duas horas de show (uma média de 13 minutos para cada) dá uma noção do som da banda: muitas texturas sonoras, arranjos orquestrados e solos que não têm fim.

Diante de tanta virtuose instrumental, pode-se dizer que o Dream Theater é uma banda sem frontman – não é exagero afirmar que o vocalista James Labrie fica fora do palco em metade do tempo show, indo e voltando dos bastidores durante as músicas. Nesta dinâmica, quem mais atrai os olhares são os premiados John Petrucci (guitarra) e Mike Portnoy (bateria), mas eles compartilham a fama com o tecladista Jordan Rudess e o baixista John Myung.

E não são poucos olhares: a banda se apresentou para uma plateia bastante espremida, no Curitiba Master Hall, em sua primeira apresentação em Curitiba. Mas eles costumam frequentar os palcos brasileiros desde o fim dos anos 90, sendo que os dois álbums antecessores – Octavarium (2005) e Systematic Chaos (2007) – também renderam shows no país. O roteiro desta turnê, de divulgação do disco Black Clouds & Silver Linings (2009), incluiu também Porto Alegre, São Paulo e deve ser encerrado hoje no Rio de Janeiro.

O tecladista Jordan Rudess, hoje com 53 anos, conversou com a reportagem por telefone poucas horas antes do show e encheu o público brasileiro de adjetivos positivos. "[Em Porto Alegre], tivemos um público incrível. Cheios de energia, estavam totalmente envolvidos com o show. Estar em uma banda internacional é uma oportunidade interessante de interagir com diferentes públicos, é tão diferente em cada lugar que a gente vai. Mas o Brasil é sempre um dos melhores", disse.

Sobre a influência erudita nas composições, Rudess afirmou que a formação clássica é sua principal definição como músico. "Sei que o Dream Theater me procurou por isso, por ser capaz de criar arranjos orquestrados como "The Best of Times" e "The Count of Tuscany" [músicas do último disco], que são pesadamente orquestradas. Na banda somos todos muito bons instrumentistas, as pessoas nos chamam frequentemente de virtuosos porque tocamos músicas que exigem muita destreza, muita prática. Para mim, isso tudo nasceu e está enraizado na música clássica."

E essa formação é um pré-requisito para instrumentistas? "É claro que para muitos músicos populares que tocam rock não é crucial que sejam tão estudados. Eu pessoalmente acredito que é possível, e até positivo, que artistas imaginem composições em sua ‘mente musical’ e só depois façam as coisas acontecerem no instrumento, depois de um certo treino. Eles certamente podem se desenvolver sozinhos – mas é claro que esse não é o nosso caminho, não é o Dream Theater."

Contraste

Bastante curioso foi perceber a mudança entre a atração principal da noite e a banda de abertura, os californianos do Bigelf. Apesar de usarem no palco a mesma variedade de instrumentos que o Dream Theater, o som do quarteto ainda obedece aquela fórmula mais usual (e curta) de estrofe, refrão e solo à qual o rock está mais habituado. O visual hippie – cabelo e barba compridos, camisas coloridas e boca-de-sino – indica que nem querem disfarçar: o Bigelf faz parte de uma nova geração de bandas diretamente inspirada no rock pesado e cru dos anos 70, como o que o Black Sabbath fazia antes de se tornarem os avôs do heavy metal. Apesar de eles serem norte-americanos, esse revival de sonoridades (que se convencionou chamar de "stoner rock") está mais concentrado em bandas do norte da Europa, representado também em bandas como Black Bonzo e Abramis Brama.

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