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música

Dylan de fato e na ficção

  • Paulo Camargo
Em Não Estou Lá, Cate Blanchett encarna Dylan na fase Don’t Look Back |
Em Não Estou Lá, Cate Blanchett encarna Dylan na fase Don’t Look Back
 
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Dylan de fato e na ficção

O documentário Don´t Look Back(Não Olhe para Trás, em tradução livre), lançado no Brasil pela Sony BMG, é um marco inquestionável tanto pa­­ra a história do cinema quan­­to para a folk music. Rodado em 1965 na Inglaterra, du­­rante a turnê de lançamento do terceiro LP de Bob Dylan, The Times They Are A-Changin’ (1964), o filme apresenta ao mundo o cantor e compositor norte-americano no auge de sua faceta profeta, aos 24 anos. Eram tempos de Beatles, Rolling Stones e da contracultura. Dylan, de certa forma, surgiu como a resposta norte-americana à invasão britânica em curso no universo da música.

O que transformou Don´t Look Back um dos documentários mais importantes já feitos, entretanto, não é o fato de ter encapsulado um momento único da cultura pop. Esse é somente um dos trunfos do filme, hoje estudado e reverenciado com um dos primeiros – e mais representativos – exemplares do chamado Cinéma Verité (ou cinema direto). Nas palavras do diretor, D. A. Pennebaker, a linguagem, revolucionária para a época, apontou novos caminhos para o gênero documental, permitiu “a aproximação de uma situação e simplesmente filmar o que lá acontecia”. “Não há a necessidade da existência de uma narração que instrua o espectador e lhe diga como entender as imagens e o que deve ‘aprender’ com o filme”, definiu o cineasta à época.

A opção de alguém como Bob Dylan, um jovem poeta engajado em plena ascensão e já visto por muitos como um gênio precoce, foi a grande sacada de Pennebaker. O artista, por trás da fachada aparentemente introspectiva, escondia uma impressionante verborragia que vem à tona no filme. E, talvez pela pouca idade e deslumbramento diante de um mundo que se ajoelhava para reverenciá-lo, vivia um momento de evidentes contradições. Tentava equilibrar elementos conflitantes de sua personalidade, como arrogância, egocentrismo e genuíno interesse por alguns temas palpitantes na década de 60: pacifismo, liberdade de expressão e direitos civis. É desse Dylan que Don’t Look Back trata de forma brilhante.

Quatro décadas mais tarde, a atriz australiana Cate Blanchett tomou o lugar de Dylan como um de seis personagens que, somados, formam uma espécie de mosaico humano e biográfico sobre o cantor e compositor norte-americano no excelente I’m Not There, de Todd Haynes.

Cate viveu o papel de Jude, a encarnação anos 60 de Dylan (justamente aquela retratada no filme de Pennebaker), que divide a cena com outros cinco atores. Heath Ledger é o ator Robbie; Christian Bale, o cantor folk Jack, que se torna pastor evangélico; o ator-mirim negro Marcus Carl Franklin interpreta o músico Guthrie, encarnação juvenil de Woody Guthrie, ídolo de Dylan e branco; Richard Gere vive o lendário pistoleiro Billy the Kid, vivido pelo autor de “Blowin’ in the Wind” no cinema; e Ben Whishaw, o narrador.

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