
Los Angeles - Pouco antes de Charlie Sheen subir ao palco do estúdio 27 do conglomerado da Sony, em Los Angeles, no último dia 10, uma das músicas tocadas para animar o público que aguardava o início da gravação do programa Comedy Central Roast era "Lust for Life". Não poderia ser mais simbólica. Eternizada na voz do roqueiro Iggy Pop, a canção que fala de um homem e suas desventuras com bebida e drogas, além de bradar diversas vezes sobre seu "tesão pela vida", combina bem com a vida de excessos do ator, demitido do papel de protagonista de Two and a Half Men em março deste ano.
Programada para ir ao ar nesta segunda-feira nos EUA, mesma data da estreia de seu substituto Ashton Kutcher na série, a atração que traz Sheen como convidado especial é uma das mais desvairadas do canal de humor Comedy Central. O verbo "roast" na gíria americana significa algo como sacanear. E, basicamente, é isso mesmo o que acontece: o alvo senta numa cadeira no meio do palco e é zoado por um grupo de pessoas que se reveza num púlpito. No caso de Sheen, a sessão de galhofa durou cerca de três horas e teve entre os carrascos os atores Jon Lovitz e William Shatner, a atriz Kate Walsh e o ex-boxeador Mike Tyson, além do apresentador da noite, Seth MacFarlane, criador de desenhos como Family Guy e American Dad.
Mais de mil convidados assistiram à gravação, definida como uma "intervenção" por MacFarlane. Na plateia, gente como Ron Jeremy, uma lenda do cinema pornô, e Brooke Mueller, ex-mulher de Sheen, cuja passagem mais famosa foi ter sido ameaçada a faca pelo ator quando ainda eram casados. Episódios pesados como este, aliás, não foram poupados durante o show.
Parecendo bem mais saudável do que nos últimos meses, o ator levou numa boa as piadas contadas pelos colegas. E eles não foram nem um pouco condescendentes. Nada ficou de fora dos discursos, que falaram do vício de Sheen em drogas, da sua fama de contratar prostitutas e até da perda da guarda dos filhos para Brooke Mueller.
Homenagem
De um jeito um tanto torto, a verdade é que o programa foi uma verdadeira homenagem a Sheen. No início, um clipe mostrou seus personagens mais memoráveis na tevê e no cinema. Na hora de subir ao palco, o ator fez uma entrada triunfal numa engenhoca que reproduzia a frente de um trem, com trilha sonora ao vivo do guitarrista Slash, tocando a seu lado. A referência, aliás, é a Two and a Half Men. Especula-se que o personagem que fazia, Charlie Harper, vá morrer atropelado por um trem no episódio que vai ao ar hoje no exterior.
No final da gravação, Sheen teve seu momento de vingança no púlpito. Mostrando tranquilidade, ele disparou sua munição em direção aos participantes e riu de si mesmo. "Eu tinha o maior salário da tevê. Parece bom, né? E era muito bom. Eu transei com estrelas pornô, usei drogas, tive meu próprio programa na televisão. E, então, eu fiz a única coisa que todo mundo gostaria de poder fazer: mandei meu chefe se ferrar. E, aí, tudo acabou. Foi só quando a poeira baixou que percebi o quão sortudo eu sou porque tenho uma família que ainda me ama. E é por isso que eles não estão aqui hoje. Eles me viram na cadeia, no hospital e em tribunais. Mas acho que me ver num simples canal a cabo ia ser demais para eles", alfinetou o ator, sem perder a pose: "Esse programa pode ter acabado, mas eu sou Charlie Sheen e aqui dentro há uma chama eterna. Só tenho que lembrar de mantê-la longe dos cachimbos de crack".



