
Rio de Janeiro - Ela quer mais do que 15 minutos de celebridade. Quer o sucesso em tempo integral. Determinada, quer aparecer na capa das principais revistas e jornais do mundo. Ambiciosa, quer tocar nas rádios e aparecer na televisão. Para conseguir tudo isso e o céu também, não vai medir esforços e talvez até jogue restos do seu passado para debaixo do tapete e conte uma ou outra mentira, dessas bem pequenas, que não fazem mal a ninguém. Madonna? Lady Gaga? Não. Essa é a história de Elizabeth Grant. Ou melhor, Lizzy Grant. Ou melhor ainda, Lana Del Rey, como está escrito, em letras bem grandes, na capa do seu disco de estreia, Born to Die, um dos mais esperados deste início de ano e que vazou na web no mês passado.
Não é possível dizer que a cantora norte-americana de lábios carnudos percorreu um longo caminho e mastigou sofridamente o pão que o diabo amassou até chegar a esse disco. Bem que ela gostaria que as pessoas acreditassem nisso. Tentar, ela tentou. Misteriosa, Lana Del Rey surgiu do nada, como surgem os furacões, no ano passado, com o estiloso clipe de "Video Games", que rapidamente atingiu mais de 20 milhões de "espiadas" no YouTube e rendeu a ela comparações com Nancy Sinatra. Esperta, Lana alimentou as especulações em torno da sua figura, dando a entender que era uma artista independente, finalmente conseguindo um lugar ao sol.
Mas em 2012 o sol brilha para todos na internet, e não há como ficar na sombra. Logo se descobriu que ela havia tentado a carreira, em 2009, com o nome Lizzy Grant. Um vídeo no mesmo YouTube que a consagrou comprovou isso. Descobriu-se também que a musa "indie" era filha de um milionário, que bancou sua carreira, ajudada também pela mudança de nome, sugerida pelo empresário e sua gravadora, a poderosa Universal. Até a suculência dos seus lábios foi questionada. Falou-se muito em botox.
Lizzy era Lana, da mesma forma como Lady Gaga era Stefani Joanne Angelina Germanotta. Se não chega a brilhar intensamente em Born to Die, Lana dá mais esperança aos seus fãs do que munição aos seus críticos. Voz segura, ela atravessa sem grandes tropeços o disco de 15 canções pop, luxuosamente orquestradas e com um sutil sabor de anos 1960, como se fossem músicas-tema de filmes de James Bond.



