
Guilherme Campos, 43 anos, é um curitibano que divide o tempo entre a música e a literatura. Diz sentir necessidade de criar. Mas durante esta década, está mais envolvido com a prosa. Já escreveu seis livros, e três deles (a trilogia de Arnaldo) serão lançados no dia 23 de agosto, a partir das 11 horas, na Livraria Dario Vellozo em plena feirinha do Setor Histórico.
O personagem Arnaldo, 25 anos, foi o recurso que Campos encontrou para falar, por meio da ficção, da realidade. O ser fictício é um tradutor, que deseja se tornar escritor, e questiona se atualmente existe alguém imune à corrupção. Ele (o personagem) acredida que as pessoas que trocam os seus sonhos por um bom salário, em um emprego insuportável, são tão corruptas quanto os parlamentares envolvidos em desvio de dinheiro público.
Ficção, para Guilherme Campos, é uma maneira de estar no mundo. Mais que isso: é um recurso para ler, reagir e dialogar com o mundo e com os homens. Ele quer ser lido. Isso pode parecer óbvio, mas Campos estreou, em 2003, com Tempo de Mudança, um livro de contos praticamente "incompreensível para as massas". O escritor focava na elaboração da linguagem, e o resultado era como se ele colocasse uma cerca de arame farpado, ou uma cortina de fumaça, entre o texto e os leitores. Manual do Cidadão Oprimido, o segundo livro, de 2006, marca a superação da "barreira do hermetismo" e, desde então, ele desenvolve uma linguagem de fácil compreensão e interlocução com o próximo.
O romance mais recente, dividido em três livros, tem texto direto: é como se o autor em relação a obras anteriores, e no que diz respeito à linguagem tivesse diminuído a quantidade de perfume. Agora, a "essência" não chama tanto a atenção, apesar de o aroma se fazer presente. Campos conseguiu com a literatura algo que jamais realizou enquanto músico. Durante a década de 1990, compôs centenas de "músicas de vanguarda", bem recebidas por músicos, mas com pouca repercussão de público. O estranhamento de suas composições musicais não foi superado: ele não consegue ser simples, musicalmente falando. Mas já faz tempo que não se dedica a inventar melodias.
Campos direciona, em média, seis horas diárias para a música, mas agora está focado no ensino. Formado pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap), é professor no Colégio Dom Bosco e no Conservatório de Música Popular Brasileira de Curitiba. Gravou cinco álbuns. Conheceu o Brasil fazendo shows. Mas foi praticamente "abduzido" pela literatura.
Além de ler e de escrever, "investe" horas de sua vida em visitas a escolas da rede pública. Leva os seus livros, e também obras de outros autores, para as salas de aula. Mais que discutir, e tentar diminuir a distância entre autor e leitor, procura mostrar que a leitura é muito mais do que apenas um "item" dentro da disciplina de Português. "Leitura é prazer. Lemos não apenas para aprender, mas para usufruir a arte, a essência do ser humano", comenta.






