
Nos últimos dias, o telefone celular de Daniel Cabral, de 39 anos, não para de tocar. As mensagens de e-mail na caixa de entrada de seu computador também aumentaram. É que ele está entre os dez finalistas do Prêmio Jabuti, promovido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), na categoria Ilustração de Livro Infantil ou Juvenil.
O que motivou a indicação foi o livro Arapuca, publicado pela Editora Positivo, onde Cabral atua como editor de arte.
"Foi uma surpresa. Sinceramente, eu não esperava ser indicado ao Jabuti, mesmo porque o livro foi publicado há nove meses. Mas não nego que estou muito contente", diz Cabral, que migrou para Curitiba em 1993, com a finalidade de estudar.
Natural de Ribeirão Preto (SP), cursou Escultura na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (Embap). Entre uma aula e outra, ele recebeu o convite de uma amiga para ilustrar um livro. Desde então, vem ilustrando continuamente obras impressas.
Daqui a alguns dias, Cabral viaja para a Europa. Nesse tempo de folga, pretende finalizar o roteiro de seu próximo livro, assim como Arapuca, também destinado ao público infantil.
Arapuca, obra que começa a chamar a atenção para o trabalho de Cabral em todo o país, surgiu a partir de um convite de Marcelo DelAnhol, editor de Literatura da Editora Positivo.
Como o ilustrador passa oito horas diárias envolvido em inúmeros compromissos, principalmente dirigindo trabalhos para várias publicações, DelAnhol sugeriu a Cabral uma criação inédita.
Cabral, durante o tempo livre, lembrou-se de O Rouxinol e o Imperador, conto de Hans Christian Andersen, que ele usou como ponto de partida para a fábula. Sem nenhum texto escrito, o ilustrador valeu-se de colagens para mostrar a trajetória de um menino de origem humilde que, a exemplo do que acontence na narrativa de Andersen, conhece, encanta-se e aprisiona um pássaro. Mas, no caso da história de Cabral, o enredo mostra a realidade brasileira e os desdobramentos são os mais otimistas possíveis.
Arapuca é uma história colorida, na qual há um casamento equilibrado entre enredo e imagens. "O desafio, para mim, é equilibrar cores e emoções", conta o sujeito que diz encontrar na atividade de ilustrador a maior diversão possível nesta vida.
Ele observa que a Coleção Zepelim, projeto da Editora Positivo, tem mais de 50 títulos e, além de Arapuca, já viabilizou outros cinco livros com narrações apenas por imagens. "É uma maneira de instigar e desafiar a imaginação dos pequenos leitores", comenta.
Na Editora Positivo há uma década, Cabral já atuou como coordenador de projetos e programador visual, e assina ilustrações de uma centena de títulos. De vez em quando, o ilustrador deixa o ambiente de trabalho e participa de bate-papos com alunos, de 8 e 9 anos, a respeito de seu livro. Nesses momentos, percebe que o enredo de um livro é, muito mais do que do autor, do leitor. "Os alunos se apropriam de uma história e conseguem mostrar detalhes que nem mesmo o autor se dá conta que existiam", diz.
Arapuca teve toda a tiragem inicial, de 3 mil exemplares, comercializada. A partir de agora, devido à indicação ao Jabuti, ele supõe que haja aumento do interesse do público pela obra.
O autor acredita que o seu caminho pelo mundo é, e será, por meio da ilustração para livros infantis, apesar de ter feito cartazes, encartes para CD, logomarcas e outros trabalhos do universo da comunicação visual.
Ele gosta da ilustração infantil porque é necessário não fazer simplesmente a legenda de um texto, mas oferecer uma sugestão a mais e, quem sabe, emocionar o leitor.
Serviço: Arapuca, de Daniel Cabral. Editora Positivo. 48 págs. R$ 23,90.





