Morreu na manhã desta quinta-feira (22), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, o escritor, historiador, jornalista, tradutor e roteirista Hernâni Donato.
O autor será enterrado nesta sexta-feira, às 10h, no cemitério Gethsemani, no Morumbi. Ele tinha 90 anos e ocupava a cadeira nº 20 da Academia Paulista de Letras.
Donato nasceu em Botucatu (SP) em 12 de outubro de 1922. A vocação literária começou cedo. Aos 11 anos ele escreveu o romance infantil "O Tesouro", publicada em capítulos no suplemento literário de um jornal dos Diários Associados.
Estudou dramaturgia (na Escola de Arte Dramática) e sociologia, curso que abandonou para se aventurar em uma expedição que desbravaria uma antiga trilha indígena até o Paraguai, chamada de Caminho do Peabiru.
Ele foi presidente, em duas gestões sucessivas, do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo. Colaborou com várias revistas e jornais, e atuou na TV Tupi, Record e Nacional.
Ao longo de sua carreira, publicou livros em quase todos os gêneros: infantil ("Apuros do Macaco Pium"), juvenil ("História do Calendário"), história ("História dos Usos e Costumes do Brasil"). Em 1965, traduziu para o português o clássico "A Divina Comédia", de Dante.
Entre seus romances, o mais conhecido é "Selva Trágica" (1960), reeditado pela Letra Selvagem no ano passado. O livro conta a história de trabalhadores de uma plantação de erva-mate na fronteira Brasil-Paraguai.
Em 1963, inspirou um filme homônimo dirigido por Roberto Farias e protagonizado pelo irmão dele, Reginaldo Faria. Para o cinema, Donato também escreveu, entre outros, o roteiro do filme "O Caçador de Esmeraldas" (1979), dirigido por Oswaldo de Oliveira.



