
Tudo Isto Me Parece um Sonho, de Geraldo Sarno, encerrou ontem a mostra competitiva do 41° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, que este ano privilegiou filmes que tem como temática questões relacionadas ao folclore e à realidade social do Brasil.
O diretor de Viramundo (1964), mistura documentário e ficção para recuperar a trajetória do general pernambucano José Ignácio de Abreu e Lima, que lutou ao lado de Simon Bolívar nas batalhas que libertaram a Colômbia, a Venezuela e o Peru do jugo da coroa espanhola.
Ao mesmo tempo que segue os passos do biografado, o filme discute seu próprio processo de construção.
Na noite de domingo, foi exibido o documentário À Margem do Lixo, de Evaldo Mocarzel, sobre a rotina dos catadores de lixo reciclável que se reúnem em cooperativas na cidade de São Paulo. O filme é a terceira parte de uma tetralogia iniciada com À Margem da Imagem (2001), um retrato da vida dos moradores de rua; e À Margem do Concreto (2005), sobre a realidade dos cidadãos sem-teto. Encerra a tetralogia o documentário À Margem do Consumo, ainda em fase de produção.
O fim de semana também foi marcado pelas exibições da ficção Siri-Ará, oitavo filme do cearense Rosemberg Cariry, na noite de sexta-feira, e de outro documentário, Ñande Guarani, no sábado, estréia em longa-metragens do brasiliense André Luís da Cunha. O primeiro é uma espécie de reflexão sobre o sertão, "universo que persigo em todos os meus filmes", como explica o diretor. Cioran, mestiço que, após um exílio na França, volta ao sertão em busca de suas origens. Em sua expedição, guiado por uma velha índia, depara-se com guerreiros, índios tocando pífanos e grupos de folguedos populares.
Ñande Guarani faz uma viagem por diversas regiões do Brasil, Bolívia, Paraguai e Argentina para retratar as dificuldades vividas pelos índios Guarani nestes países em sua luta pelo reconhecimento de seu território e a demarcação de suas terras. (AV)



