
Desde os primeiros dias de vida, o artista, arquiteto e adorador de Curitiba Rodrigo Ramon Rodrigues estava com o destino voltado para a arquitetura: seus pais tinham definido o seu nome do meio para o batizado, mas mudaram de ideia quando viram, na placa em frente a um prédio em construção no centro da cidade, o nome de um arquiteto espanhol, Ramon. O que parece coincidência se concretizou, e hoje Rodrigues é mestre na área e prepara-se para um doutorado. Porém, dividir espaço com a arte também parecia certo: desenha desde os três anos de idade deixava as professoras de Palmas (Sul do Paraná), onde passou a infância, de cabelo em pé com suas "esquisitices". Depois de guardar um acervo de 2 mil imagens trabalhadas no computador e retrabalhadas à mão ao longo dos anos, ele resolveu fazer a sua primeira exposição, On Road Retratos sobre Duas Rodas, que abre hoje no Hacienda Café.
São 10 telas, todas com um metro, em média, que misturam diversas técnicas e, em sua maioria, fazem referência ao cinema. "Sou meio exagerado", diz o artista. Em um dos trabalhos, Rodrigues capturou a imagem de Marlon Brando, no filme O Selvagem (de 1953, dirigido por László Benedek), diretamente da película VHS, e retrabalhou digitalmente. Depois, imprimiu os quadros em um vinil que imita o tecido. Outro longa-metragem usado como inspiração foi Diários de Motocicleta, de Walter Salles o artista retratou uma das imagens que mostram Gael García Bernal no papel de Che Guevara.
Não satisfeito com algumas nuances de cor que surgem espontaneamente na impressão, o artista também realizou alguns retoques com tinta e pincel, e usou o mesmo processo em fotografias próprias que realizou em viagens e que tinham a ver com o tema estrada e motos. Tudo isso durante três semanas, em que trabalhou "das oito da manhã até três da madrugada", enquanto desfrutava de parte de suas férias (ele atua como arquiteto na área de planejamento urbano). O resultado final são obras com uma desconstrução na cor e na textura, num "processo de criação híbrido", como gosta de salientar.
Entretanto, já teve de ouvir que a manipulação digital de suas imagens não era arte. "Essa é uma definição boba para o contexto atual, onde as pessoas têm sua estação de trabalho muitas vezes em um celular. Ainda estamos presos naquela coisa tradicional, de que arte é apenas um quadro pintado com tinta e pincel."
Curitiba
O cinema e as motocicletas foram a inspiração de Rodrigo Ramon Rodrigues para a sua mostra, mas o que mais lhe empolga na conversa é Curitiba, que, segundo ele, é "muito mais cosmopolita do que se pensa". Estudioso do planejamento da cidade, sabe das histórias mais curiosas e cabeludas sobre a constituição da capital paranaense. Morador do bairro Água Verde, constantemente vai a pé até o Largo da Ordem só para observar as ruas e pessoas. "Tudo o que eu gosto e amo está aqui."



