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Expoente do neo-soul, Maxwell ressurge

Maxwell: cantor deixou de lado a afetação que exibia nos anos 90 | Fotos: Divulgação
Maxwell: cantor deixou de lado a afetação que exibia nos anos 90 (Foto: Fotos: Divulgação)
Capa de BLACKsummers´night |

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Capa de BLACKsummers´night

Oito anos. Levou todo esse tempo para que o cantor norte-americano Maxwell, de cabelos bem curtos e com visual mais sóbrio, voltasse à cena depois de um hiato que muitos chegaram a interpretar como aposentadoria precoce. Teria ele seguido os passos de Lauryn Hill?

Um dos expoentes do chamado neo-soul, ao lado de John Legend, Alicia Keys e Erikah Ba­­du, o artista nova-iorquino, hoje aos 36 anos, ressurge menos cool e mais maduro em BLACK­sum­­mers’night, seu quarto álbum de estúdio. E tanto os fãs quanto a crítica gostaram, festejando a consistência de suas novas composições. O disco, recheado de canções de amor sobre separação e salpicado de versos sobre arre­pen­­­dimento e recriminação, ven­­­deu 316 mil cópias nos Es­­tados Unidos e liderou a parada Billboard em sua primera semana de lançamento. Vem sendo apontado como um dos mais consistentes e inspirados de 2009.

A julgar por palavras como "Eu fico insano/ Louco, às vezes/ Tentando evitar que você perca a cabeça", da faixa "Fistful of Tears", Maxwell talvez não tenha passado todos esses anos de pernas para o ar em alguma praia do Caribe, região originária de sua família. O cantor ressurge sem a leveza (e ligeira afetação) que o colocou em evidência na década passada.

Em compensação, traços que já despontavam no seu trabalho, como as fortes conexões com a velha escola do soul, sobretudo Marvin Gaye, agora parecem consolidadas, sem que Maxwell pareça estar imitando seu ídolo. Exemplo disso é a excelente canção "Pretty Wings", primeiro single de BLACKsummers’night, cuja letra fala da ironia de ter encontrado a pessoa certa na hora errada. Quem nunca vivenciou essa sensação na vida? A música, irresistível, já é uma das mais executadas nas rádios americanas de R&B e hip-hop.

Em entrevistas concedidas por ocasião do lançamento do CD, Maxwell diz que deu um tempo na carreira para descansar, pensar, confundir-se na multidão. A afirmação faz sentido se lembrarmos que o cantor iniciou sua carreira aos 17 anos e, aos 22, lan­­­çou o disco Maxwell’s Urban Hang Suite (1996), registro de es­­tréia que lhe rendeu dois discos de platina, equivalente a dois milhões de cópias vendidas, apenas nos EUA e indicações ao Grammy nas categorias de me­­lhor álbum e melhor performance masculina de R&B.

Além de Marvin Gaye, já era possível identificar nas música do artista ecos de gigantes da black music, como Curtis Mayfield, Stevie Wonder, Barry White e Prince. O que mudou nesses oito anos é a sensação que se tem ao ouvir Maxwell. Se antes era evidente o esforço de parecer precoce, de não ser vulgar e de proporcionar ao público uma atmosfera (por vezes forçada) de sofisticação, agora tudo soa mais orgânico, consistente. O artista está menos interessado em fazer temas de fundo para pseudointelectuais bebedores de café expresso, que adoram discutir o sentido da vida e de livros que fingem terem lido nos Starbucks da vida. Suas canções ganharam vigor, estamina e – por que não? – dor. Quem ganha é o público. GGGG

Serviço

BLACKsummers’night, do Maxwell. Sony BMG. Preço médio: R$ 29,90.

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