
Dez anos de cartas trocadas entre os artistas visuais Lygia Clark e Hélio Oiticica inspiraram a peça Exposição, que entra em cartaz hoje no Teatro Universitário de Curitiba (TUC), com sessões até quinta-feira, 16. O espetáculo, dirigido por Cândida Monte e Gustavo Bitencourt, em parceria com o diretor e dramaturgo Dimis Jean Sores, baseia-se no cotidiano dos artistas brasileiros retratado no livro Cartas, 1964-1974. Ela na Europa e ele no Brasil vivem, por meio dos escritos, momentos de crise tanto na vida pessoal, quanto na artística. Para Cândida Monte, que idealizou e dirige a peça, o principal objetivo da apresentação é a interação do público com o mundo das artes visuais e, ao mesmo tempo, com questões inerentes ao ser humano. "O público interage não só com as referências artísticas, mas com outras situações de teor pessoal, como fofocas, o amor e as confidências trocadas por meio das cartas", diz.
Para o dramaturgo e diretor Dimis Sores, o espetáculo é uma forma de homenagear Lygia e Hélio, que são referências nas artes visuais e não têm o devido reconhecimento no Brasil. Ele explica que a história dos artistas não é contada de forma linear, mas a partir das ideias e questionamentos de ambos. "O texto é baseado nas experiências, nas ideias que os dois compartilhavam", conta. A interatividade é marca do espetáculo, que utiliza outros espaços além do palco. Até mesmo o título da peça sugere essa troca entre público e artista. "O nome Exposição é para demonstrar a exposição do artista em frente ao seu público: tanto dos artistas que estão em cena quanto das cartas trocadas entre Lygia e Hélio", explica Cândida. "Existe uma fronteira borrada entre as experiências descritas nas cartas e as nossas experiências pessoais", completa a diretora.
Depois das apresentações no TUC, Exposição faz temporadas em São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador.



