Se a imaginação já corre solta em desenhos japoneses populares, como Dragon Ball e Cavaleiros do Zodíaco, o que dizer então de propostas, digamos, mais artísticas? Desde o sucesso de A Viagem de Chihiro, vencedora do Oscar de animação em 2003, o interesse do público ocidental por produções do gênero aumentou consideravelmente. Cresceu também o culto em torno do animador Hayao Miyasaki, responsável por títulos como o já mencionado Chihiro, Princesa Mononoke (cuja bilheteria superou a de Titanic no Japão) e O Castelo Animado, em cartaz a partir de hoje nos cinemas de Curitiba.
Apesar do êxito comercial, Miyasaki, de 64 anos, trabalha sem qualquer tipo de imposição mercadológica. Não gosta da tecnologia 3D e desenha sozinho praticamente todos os cenários e personagens de seus filmes. E o mais surpreendente: escreve o roteiro ao longo da produção, desconhecendo o que vai acontecer na história. Essa liberdade de criação só poderia render tramas de conteúdo altamente fantástico, temperadas com pitadas de poesia e delicadeza oriental.
O Castelo Animado conserva todas essas características, mas consegue ser ainda mais enigmático do que A Viagem de Chihiro. Baseado num livro da escritora britânica Diana W. Jones, o filme se passa na Inglaterra do século 19 e narra a saga de outra personagem feminina, Sophie.
Aos 18 anos, ela tem como única atividade o trabalho árduo na chapelaria da família. Durante uma de suas raras visitas à cidade, a jovem conhece Hauru, um mágico charmoso, porém pouco confiável. Confundindo a relação entre os dois, uma bruxa inimiga do rapaz lança uma maldição contra Sophie, transformando-a em uma velhinha de 90 anos. Confusa com a situação, a chapeleira foge para as montanhas, onde se depara com o castelo do título de propriedade de Hauru e, literalmente, animado. O monstrengo anda por aí, aparece e desaparece repentinamente e acaba servindo de lar para a personagem principal, que passa a trabalhar como empregada do lugar.
Outras figuras inusitadas (como o menino Marko, o cão Hihn e Calcifer, o demônio do fogo) também habitam o castelo e, com Sophie e Hauru, formam uma espécie de núcleo familiar. Juntos, eles vão aprender lições importantes sobre amor, amizade, orgulho, velhice, ambição.
Repleto de simbologia oriental, O Castelo Animado não é um filme fácil para os leigos no assunto a maioria dos espectadores brasileiros, diga-se de passagem. Mas, ainda assim, vale como um belo convite à contemplação. GGG1/2



