
Os subterrâneos de Curitiba estão povoados de ídolos da música em potencial, com uma produção sólida e consistente, e qualidade artística equiparável à dos bem-aventurados ungidos pela fama em nível nacional. Entretanto, todos parecem ser vítimas da profecia do escritor e publicitário Jamil Snege, segundo quem "para ser invisível em Curitiba, basta ter um talento genuíno."
Pois a Mundo Livre FM, emissora de rádio do GRPCom, se propõe a quebrar essa maldição, oferecendo espaço "VIP" no dial e convidando as bandas mais talentosas da cidade para o centro da ribalta além de dar instrumentos musicais de primeira para as três melhores. Para isso, criou o Festival Geração Mundo Livre, cujas inscrições vão até o próximo sábado (confira o regulamento em www.geracaomundolivre.com.br).
Na primeira etapa, um júri composto por profissionais de comunicação e da música vai selecionar os 40 grupos de pop, rock e MPB contemporânea que vão disputar as eliminatórias, das quais dez serão classificados para a grande final, em dezembro.
Mas atenção: o concurso é destinado a grupos profissionais, que já tenham uma carreira minimamente consolidada "com produto musical comercializado por selo, gravadora ou de forma independente, ou temporada pública em qualquer tipo de ambiente comercial", como reza o regulamento. Ou seja, nada de bandas de garagem, iniciantes ou amadoras em geral.
"O festival foi criado para os nossos músicos que já têm uma história, e só precisam fazer o seu trabalho chegar ao grande público, para além da internet, com a retaguarda de um grande meio de comunicação", explica Marielle Loyola, produtora artística do concurso. "Agora é a hora de fazer esse pessoal aparecer."
O projeto também pretende neutralizar as "panelinhas" de músicos, que costumam balizar quem aparece ou não na mídia. "A gente já insere vários artistas locais na nossa programação normal, mas o Jansen [Edson Jansen, coordenador de programação da rádio] falava que ficava chato tocar alguns e outros não", lembra Marielle. "Aí surgiu a ideia do festival, para colocar as bandas para tocar e fugir da panela."
Metodologia
O antídoto à "panela" é a própria metodologia do concurso, com a pré-seleção feita por profissionais do ramo, e as performances julgadas nas eliminatórias por jurados gabaritados e também pelo público o voto popular tem o mesmo peso que a escolha de cada um dos dois jurados presentes em cada apresentação. "A gente quer colocar no ar aquelas bandas que realmente mereçam tocar no rádio, daí a importância da votação", justifica Roberta Krüger, do Marketing da Mundo Livre.
A grande final, que acontece em dezembro em um espaço de grande porte, com expectativa de público de 5 mil pessoas e a apresentação de bandas nacionais, vai selecionar os três melhores grupos entre os dez classificados nos cinco estilos avaliados. Os três primeiros vão ganhar instrumentos musicais, e a banda campeã ainda terá suas músicas de trabalho executadas 45 vezes na programação normal da rádio, durante três meses. "Mas as 40 bandas pré-selecionadas vão tocar no Geração Mundo Livre", avisa Marielle, que comanda o programa dedicado à cena local, aos domingos, às 22 horas.



