
Ele está em todos os lugares, Aos 30 anos, o ator e comediante carioca se tornou uma espécie de sinônimo de humor multimidiático. Todas as quintas-feiras ele pode ser visto na série A Grande Família, como o exuberante Juninho, sócio de dona Nenê (Marieta Severo). Aos domingos, na mesma Rede Globo, ele é um dos protagonistas acima do peso do quadro "Medida Certa", do Fantástico. Também protagoniza e escreve o Porta dos Fundos, programa de vídeos de humor que se tornou fenômeno de visualizações na internet. E, nos cinemas, faz um filme atrás do outro: na próxima sexta-feira, estreia seu terceiro longa-metragem lançado neste ano, Meu Passado Me Condena, de Julia Rezende (leia texto nesta página), depois de Vai Que Dá Certo e O Concurso.
Bem mais magro (não quis revelar o número exato de quilos perdidos, mas já passam de dez), Porchat participou na última semana, em São Paulo, de uma maratona de entrevistas para divulgar Meu Passado Me Condena. No filme, adaptação para o cinema da série anônima que chega à segunda temporada no canal pago Multishow, o humorista vive o papel de um sujeito ainda com um pé na adolescência que se casa, depois de apenas um mês de namoro, e embarca com a esposa (Miá Mello) em um cruzeiro em lua de mel para a Europa.
Em entrevista exclusiva à Gazeta do Povo, Porchat contou que, apesar de não ter tempo para nada, está muito feliz com o atual momento profissional. "Nada do que está acontecendo foi planejado, e receber toda essa atenção é muito bom, ainda mais porque estou fazendo o que sempre quis."
Tornar-se comediante, contudo, não foi um sonho acalentado desde a infância de Porchat, que estudava Administração de Empresas na Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) quando sua vida deu uma guinada radical, ao se apresentar no Programa do Jô e parodiar no palco do talk show global um trecho do programa Os Normais, do qual era, e ainda diz ser, fã incondicional. "Quando eu me vi ali, diante do público, ouvindo todas aquelas risadas, eu me dei conta de que gostaria da fazer aquilo para o resto da vida."
Rápido com as palavras, e muito articulado, Porchat não hesita quando indagado se ele deseja ser um comediante para o resto da vida. Mesmo reafirmando sua paixão pelo humor, pelo fazer rir, ele diz pretender avançar, aos poucos, para outros territórios da arte de interpretar e de escrever. Lembra de atores como o canadense Jim Carrey (O Show de Truman) e os norte-americanos Will Farrell (Mais Estranho Que a Ficção) e Steve Carell (Pequena Miss Sunshine), que fizeram incursões bem-sucedidas em outros gêneros.
E é justamente Carrey que Porchat cita ao falar de um projeto que pretende levar às telas em 2014: Um Homem entre Abelhas. O filme, segundo o ator, foge do registro da comédia rasgada, buscando, nas palavras do ator, elementos de realismo fantástico que o aproximam de Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, estrelado pelo canadense. O roteiro foi escrito por ele e Ian SBF, um dos criadores de Porta dos Fundos, que também assinará a direção do longa. "Meu personagem, embora tenha aspectos cômicos, é limítrofe, com sérias dificuldades de comunicação com o mundo."
Porta dos Fundos
O inevitável aconteceu. A explosão de popularidade dos vídeos da série Porta dos Fundos na internet também migrará para o cinema no ano que vem. O mesmo Ian SBF, sócio de Porchat na produtora Fondo Filmes, vai dirigir o longa, que começará a ser rodado em breve. "O roteiro já está pronto e teremos todo o elenco do Porta. É uma história com começo, meio e fim, mas tem uma brincadeira à la Pulp Fiction, com tramas entrecortadas que vão fazendo sentido ao longo da história", contou.



