
Enquanto no Brasil aguarda-se o bombástico e, segundo a crítica, "enigmático", último episódio do quinto ano de Lost, nos Estados Unidos os fãs discutem fervorosamente as grandes reviravoltas e a resolução daquela que deve ser a derradeira temporada da série.
Desde a estreia, Lost foi um grande quebra-cabeças, com os espectadores tentando resolver os mistérios que surgiam a cada capítulo. O final da última temporada deixou os fãs ainda mais confusos e especulando sobre quem sobrevive e quem morre, quem realmente é vilão e mocinho, além da teoria da viagem ao passado e futuro.
Todas essas dúvidas poderão ser resolvidas em apenas uma última temporada?
Tais mistérios, porém, não representam um missão impossível para os produtores que, desde o começo da série, sabiam como o final seria apresentado ao público e o mistério, desenvolvido.
"No começo da primeira temporada, enquanto trabalhávamos nos primeiros 12 episódios, a gente meio que determinou como o final seria", disse Carlton Cuse, produtor-executivo e um dos roteiristas, em entrevista ao G1, em Beverly Hills.
Um dos grandes desafios dos produtores foi determinar a duração da série. "A maneira convencional das emissoras lidarem com seus programas de TV é que eles não tendem a acabar quando os produtores querem", diz o roteirista e produtor executivo Damon Lindelof. "Mas na metade da terceira temporada pudemos negociar o final do seriado para depois da sexta temporada."
Precipício Para Lindelof, essa mudança radical de ter um prazo de expiração determinado foi a salvação da série. "Eu acho que o público, durante a terceira temporada, achou que tinha chegado à beira de um precipício. Eles pensaram: Como é que vamos continuar assistindo a um programa que a gente sabe que nunca dará as respostas que a gente quer?".
O ator Daniel Dae Kim, que interpreta Jin Kwon, concorda com o raciocínio. "Acho que uma história como a nossa tem seu começo, meio e fim naturais. Em determinado ponto, o público quer saber se os náufragos serão resgatados. É legal que a história tenha um arco, e isso me faz ficar ansioso para saber como Lost terminará."
O desafio dos roteiristas para chegar à esperada resolução tem sido um processo orgânico, com rumos debatidos a cada episódio. "É como se estivéssemos tomando decisões dia após dia. Acho bacana que os roteiristas do show vêm, de alguma maneira, reagindo ao que os atores fazem na frente das câmeras", diz Carlton Cuse.
Atores surpresos Durante as cinco temporadas de Lost, a série passou por diversas reviravoltas, e muitos atores ficaram surpresos com a maneira que seus personagens se desenvolveram na trama.
"Jamais esperava que a Kate se comportasse como nesta temporada", diz a atriz Evangeline Lilly. As mudanças de percurso dos personagens só tiveram uma preocupação para ela. "Espero que todas as atitudes e decisões que tomamos nos episódios passados e presentes combinem com as que tomaremos no futuro".
Daniel Dae Kim é filosófico sobre a questão e cita as próprias experiências cotidianas. "A gente acorda de manhã e não sabe o que o dia nos reserva. Eu acho um pouco irritante não saber, de antemão, o que vai acontecer com meu personagem, mas a vida é assim, e é legal poder responder honestamente e naturalmente aos desafios que nela surgem."
Se os atores tivessem a chance de mexer no roteiro, uma outra história completamente diferente teria se desenrolado. "Eu não teria matado todo mundo", diz Naveen Andrews, rindo. "Seria legal que as pessoas com as quais fizemos amizade no set ainda estivessem a nossa volta."
Já Evangeline teria uma proposta que não agradaria muito os fãs masculinos da série. "Honestamente? Eu teria feito a Kate ficar sempre mais vestidinha", diz rindo.
Hoje um dos sex symbols da TV americana, Evangeline diz que vai ficar bastante triste quando o show encerrar sua trajetória. "Vou sentir falta dos atores e da incrível equipe técnica que conseguimos reunir no Havaí. Toda vez que acabamos de filmar uma temporada, eu me debulho em lágrimas, pois sei que vou passar alguns meses longe daquelas pessoas tão legais e que olham por nós".
Fãs brasileiros Os milhões de fãs de Lost, de Los Angeles a Pequim, vão sentir falta dos personagens. Mas pelo menos para o público brasileiro, os atores da série mandaram seus recados. "Sei que temos muitos fãs no Brasil, pois vivo recebendo um monte de cartas e cartões postais de Sao Paulo, que parece ser uma cidade incrivel", diz Michael Emerson.
Já Jorge Garcia lamenta não saber falar português para agradecer seus fãs. "Costumo fazer uma triagem em minhas correspondências enviadas por fãs. Muitas vêm dos Estados Unidos mesmo, e muitas da Europa. Mas, da América do Sul, a maioria das cartas que recebo vêm do Brasil, o que eu acho muito bacana".
Evangeline tem uma mensagem importante para seus fãs. "Gostaria de pedir a todos que chequem o site que organizei dentro do Ebay para vender lingerie feminina feita no Brasil e cuja renda das vendas será destinada a TASK Brasil, organização que ajuda as crianças de rua. Estamos chamando a linha de lingerie R*Favela (nossa favela) e estamos tentando encorajar as pessoas nos Estados Unidos a fazerem das favelas brasileiras as favelas deles também".



