
Em 1951, a poeta norte-americana Elizabeth Bishop (1911-1979) viajava pelo mundo em uma jornada existencial: atormentada e alcoólatra, ela buscava um sentido na vida. Desembarcou no Rio de Janeiro para uma escala de dois dias no mês de dezembro. Acabou ficando na então capital do Brasil por 16 anos. Por causa de um grande amor: a arquiteta e paisagista Lota de Macedo Soares (1910-1967).
Flores Raras, novo longa-metragem do cineasta carioca Bruno Barreto (de Dona Flor e Seus Dois Maridos e O Que É Isso Companheiro?), conta a história dessa grande paixão, que tem como pano de fundo um país em mutação, embalado pela bossa nova e pelas transformações políticas, econômicas e sociais ocorridas entre as décadas de 50 e 60. O filme, que custou R$ 13 milhões, tem estreia nacional nesta sexta-feira, em 150 salas.
Exibido no Festival de Berlim, em fevereiro deste ano, Flores Raras traz Gloria Pires no papel de Lota e a australiana Miranda Otto (da trilogia O Senhor dos Anéis) como Elizabeth Bishop, um dos grande nomes da literatura americana do século 20, vencedora do Prêmio Pulitzer, em 1956.
Baseado no livro Flores Raras e Banalíssimas A História de Lota de Macedo Soares e Elizabeth Bishop (Ed. Rocco, 248 págs., R$ 41,50), de Carmen L. Oliveira, o filme acompanha desde o desembarque de Bishop ao Brasil e os primeiros tempos de vida em comum com Lota, em Petrópolis, na Serra Fluminense, onde a poeta escreveu alguns de seus poemas mais importantes e também venceu o alcoolismo.
O filme acompanha ainda a mudança do casal para o Rio de Janeiro, onde Lota teve papel fundamental na construção do Parque do Flamengo, no qual trabalhou com o paisagista Roberto Burle Marx. Também nesse período teria início o fim da relação de Lota com Elizabeth.
Clima
Para o diretor Bruno Barreto, não foi a questão da sexualidade que mais o atraiu no projeto. "O tema que permeia o filme inteiro é a perda. É um filme de clima, de olhares. O que acontece entre uma fala e outra é muito mais importante do que o que é dito em si", declarou Barreto em entrevista concedida logo após a exibição do longa no Festival de Gramado.
Os direitos para o cinema de Flores Raras e Banalíssimas A História de Lota de Macedo Soares e Elizabeth Bishop, foram comprados pela mãe de Bruno, a produtora Lucy Barreto, em 1995, mas o diretor diz que só se interessou pelo projeto dez anos depois, após ver sua ex-mulher, a atriz norte-americana Amy Irving, com quem filmou Bossa Nova, interpretar um texto sobre Bishop em Nova York.
Flores Raras tem estreia em Los Angeles e Nova York prevista para outubro e novembro, a tempo de se qualificar para a corrida do Oscar. O diretor e os produtores acreditam que tanto Gloria Pires quanto Miranda Otto têm algumas chances de serem citadas pelas associações de críticos e, quem sabe, concorrer à estatueta. A produção, contudo, está fora da disputa de melhor filme estrangeiro, já que é falada em inglês na maior parte do tempo.



