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Entrevista

Formado só por mulheres, Samba de Saia cresce e ganha destaque na noite curitibana

Grupo completa três anos e comemora apresentações lotadas em 2008

O grupo Samba de Saia | Divulgação
O grupo Samba de Saia (Foto: Divulgação)
O grupo Samba de Saia durante apresentação no Bossa Nova Bar |

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O grupo Samba de Saia durante apresentação no Bossa Nova Bar

O grupo Samba de Saia |

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O grupo Samba de Saia

Com a proposta de fazer samba apenas por mulheres, o grupo Samba de Saia consolidou-se ao longo de seus três primeiros anos de carreira na cena musical curitibana. "O samba tomou uma proporção gigantesca na cidade. Isso me deixou muito feliz", comentou Cintia Albuquerque, uma das quatro musicistas do grupo que, assim como o sugere o nome, só se apresentam de saias.

"Nós temos o espaço que a gente criou. São quatro musicistas. Das quatro, só uma, que é a Maristela, tem mais experiência. A gente teve que batalhar com muitas coisas. Tivemos que aprender fazendo, e até mesmo conquistar os espaços de uma maneira diferente."

Carioca radicada em Curitiba há quatro anos, Cintia se sente em casa e garante que o ritmo é muito bem recebido na cena noturna da cidade. "Sou do Rio de Janeiro, mas desde que eu cheguei aqui eu só vejo o samba fazer sucesso. Não só ele, mas a Música Popular Brasileira em geral. Inclusive a música folclórica. Temos um espaço muito grande para o maracatu", garantiu.

Formado por Cintia (voz, violão, flauta transversal e percussão), Maristela Ávila (teclado e percussão), Daniela Saad (voz e percussão) e Luana Godinho (voz e percussão), o grupo pretende gravar um CD com músicas próprias no próximo ano. Enquanto isso, no próximo dia 2, elas comemoram o terceiro aniversário do quarteto no Bossa Nova Bar. O evento marcará ainda o primeiro registro em DVD de uma apresentação do grupo.

Confira a íntegra da entrevista:

O grupo comemora três anos neste fim de semana. Como foi a trajetória desde o início?

Nós nos conhecemos na faculdade e queríamos tocar e ter um grupo. Fazíamos muita música na faculdade. A Daniela me ligou e me chamou para ir a uma roda de samba. Só tinha homens tocando. Quando tem mulher, a mulher está só cantando. É difícil ter um grupo de mulheres que realmente toca. A gente começou a planejar o grupo ali, um grupo só de mulheres, vestidas sempre de saia, tocando samba-raiz, música bacana. Nasceu ali. Todas as idéias que a gente carrega até hoje nasceram naquele dia.

O nome também surgiu no mesmo dia?

Sim. Foi espantoso, pois a gente não se conhecia muito bem, estávamos no primeiro ano de faculdade. Eu era recém-chegada à cidade. Foi uma pessoa que me ligou e me chamou para sair e eu aceitei. Que bom que eu aceitei, né? Pois foi tudo isso.

O samba é um ritmo bem recebido pelos curitibanos?

É muito bem recebido. Eu sou do Rio de Janeiro, mas desde que eu cheguei aqui eu só vejo o samba fazer sucesso. É um ritmo que tomou uma proporção gigantesca na cidade, e isso me deixou muito feliz. Não só o samba, já que o samba vem como carro-chefe, mas a Música Popular Brasileira em geral. Inclusive a música folclórica. Temos um espaço muito grande para o maracatu, e isso é muito interessante.

Há espaço para tocar na cidade?

Nós temos o espaço que a gente criou. São quatro musicistas. Das quatro, só uma, que é a Maristela, tem mais experiência. Ela é musicista desde sempre. Está terminando a faculdade de Musicoterapia, mas já fez a primeira formação em piano. Ela sempre trabalhou com música. Fora ela, nós três começamos profissionalmente com o Samba de Saia. A gente teve que batalhar com muitas coisas. Tivemos que aprender fazendo, e até mesmo conquistar os espaços de uma maneira diferente.

Como é o trabalho de escolha de repertório?

São coisas que a gente gosta e que pesquisamos. É um repertório extremamente variado. Tem choro, bossa nova, sambas bem recentes e músicas que não são sambas, mas que a gente consegue adaptar. A gente não se prende. É música brasileira com cara de samba. E fica legal, dá um resultado bacana.

Vocês fazem composições próprias?

Estamos começando. Já temos algumas e tocamos no show timidamente. Arriscando aos poucos.

Pretendem gravar um álbum no futuro?

É o nosso projeto para o ano que vem. A gente fundou o grupo, e estamos fazendo três anos. O primeiro ano foi um ano de aprendizagem. Aprendemos a estar no palco, a tocar, perder a inibição. Era bastante amador. O segundo ano foi de profissionalização, e coincidiu com a saída da Amanda que era uma das nossas integrantes e praticamente a voz principal do grupo. Entrou a Luana e a gente passou por uma fase de adaptação. Ficamos quase o ano todo montando timbres, arranjos. Foi uma coisa bem delicada, e que deu certo. Chegamos ao nosso terceiro ano com uma grande bagagem, mais entrosadas e mais seguras. O grupo todo pensa que esse é o nosso momento de gravar um CD, de investir em um show um pouco maior e sair um pouco desse ambiente e não ficar na noite em Curitiba somente.

Todas as integrantes do grupo têm uma formação musical aprofundada, e procuram não focar apenas em um instrumento. Você acha que falta técnica e estudo nos grupos que aparecem hoje em dia?

A minha preocupação maior é com músicas que são modinhas. Músicas de refrão fácil, com uma mensagem vazia. Isso me preocupa muito mais do que a qualidade técnica. A técnica é adquirida, depende de estudo, de dedicação. Tem muita gente boa e tem muita gente ruim. Assim como tem muita gente ruim que vira gente boa (risos). Existem várias carreiras que a gente nota. Eu me preocupo com a preocupação marqueteira e vazia. Aquele "pagodinho chinfrim".

Vocês já têm algumas músicas próprias. Existe algum artista que seria a principal inspiração para a identidade do grupo?

Essa é uma pergunta que a gente nunca consegue responder direito (risos). A gente gosta de muita coisa, e nos perdemos um pouco quando pensamos qual é a nossa cara. Uma vez fizemos um arranjo de uma música do Ary Barroso com um choro antiqüíssimo. As pessoas ouviam e achavam estranho. Não era normal. Mas veja, a Maristela tem uma formação erudita. Ela traz para a gente coisas bem melódicas, harmônicas, e elaboradas neste sentido. A Dani gosta muito da música mais alegre, um samba mais ritmado. Ela traz muita coisa de Zeca Pagodinho, Bezerra da Silva. A Luana gosta muito de pesquisar, e é ela quem traz as novidades. Quando tem um samba do Paulinho da Viola que a gente não conhece, é ela quem traz. E tem espaço. Eu gosto muito de bossa nova, acho que eu levo um pouco disso para o grupo. Fica muito a nossa cara, um pouco de todo mundo.

Nesta apresentação de domingo, será gravado o DVD do grupo. Como aconteceu este projeto?

É um projeto de conclusão de curso de uma das nossas amigas. É uma pessoa bastante querida. Não podemos dizer ainda que é um DVD para lançar a gente, que vamos comercializar. É um registro feito por uma pessoa que tem conhecimento do que vai fazer, vai ter uma entrevista também, mas não me arrisco a dizer que é o DVD do grupo. Mas pode vir a ser.

Hoje você sente que o grupo se fixou na cena musical curitibana? O que ainda falta?

Eu acho que não falta. Eu acho que falta um detalhe: a gente chegou em um patamar em Curitiba no qual não tem mais para onde ir fazendo o que a gente faz. Está na hora da gente ter uma proposta diferenciada. Gravar o nosso CD, fazer proposta para shows, que é bem diferente de apresentações em bares. É só isso que falta.

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