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DVDO Bem-AmadoBrasil, 1973. De Dias Gomes. Direção de Regis Cardoso. Som Livre. Dez discos. R$ 169,90. Novela.

Primeira novela gravada em cores no Brasil, O Bem-Amado estreou em 1973 e é um ótimo exemplo da escrita afiada e provocativa de seu autor, o dramaturgo e escritor Dias Gomes (1922-1999), responsável por clássicos da televisão brasileira, como os folhetins Saramandaia e Roque Santeiro, e da peça O Pagador de Promessas, cuja adaptação para o cinema venceu a Palma de Ouro em Cannes. Típico representante das oligarquias nordestinas, o prolixo prefeito da minúscula Sucupira, Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo), dono de um português muito peculiar, vê como sua grande obra a construção de um cemitério municipal. Acontece que ele não consegue inaugurá-lo porque ninguém morre na cidade.

Preste atenção: Nessa rica alegoria política do Brasil durante os anos de chumbo da ditadura militar, um dos pontos altos são os personagens coadjuvantes pitorescos e inesquecíveis, como o jagunço Zeca Diabo (Lima Duarte), o covarde assessor do prefeito Dirceu Borboleta (Emiliano Queiroz), as fogosas e muito católicas irmãs Cajazeira (Ida Gomes, Dirce Migliaccio e Dorinha Duval) e Zelão das Asas (Milton Gonçalves), um homem que sonha voar. (PC)

SiteGlobal Shakespeareshttp://globalshakespeares.mit.edu

É o paraíso para amantes de Shakespeare. O portal desenvolvido pelo Massachusetts Institute of Technology reúne quase 400 gravações de peças de teatro na íntegra ou os melhores momentos de montagens de todo o mundo.

O arquivo digital tem preciosidades, como a filmagem para televisão de A Tempestade, uma das peças menos montadas do bardo, realizada nos anos 1970, no Piccolo Teatro di Milano, na Itália.

Do Brasil, constam trechos de adaptações como Sua Incelença, Ricardo III, de Gabriel Villela; Otelo da Mangueira, de Gustavo Gasparani; e a versão completa de R&J de Shakespeare: Juventude Interrompida (foto), de João Fonseca. A editora do material brasileiro é a professora Liana Leão, da Universidade Federal do Paraná.

Além de teatro, estão lá trailers de filmes que adaptam o autor inglês e mesmo de longas em que Shakespeare é recitado, como O Discurso do Rei, em que o rei George VI recita trechos de Hamlet, Ricardo III, Otelo e A Tempestade.

Um índice permite pesquisar gravações pelo idioma, país de origem ou peça.

Dica: É necessário instalar um plugin Quicktime para assistir aos vídeos. (HC)

Livro 1FavelostFausto Fawcett. Martins Fontes, 244 págs., R$ 39,90.

A prosódia urbana de Fausto Fawcett sai de seu gueto usual de Copacabana e aporta nas quebradas do Baixo Augusta. Os seres que a povoam continuam os mesmos; prostitutas, proxenetas, desajustados em geral, à deriva na loucura futurista.

O quarto livro do cantor, compositor de hits antológicos do pop nacional, como "Kátia Flávia, a Godiva do Irajá" e "Rio 40 Graus", e também dramaturgo, roteirista carioca e provocador, Favelost tem a estrutura de uma pequena "opera rap" segundo o autor. "DJs especializados em scratches de ladainha à procura do funk oculto na cabala, bailes de ortodoxias, realejos muçulmanos com o corpo tatuado com arabescos", antecipa o autor.

Favelost reúne quatro histórias paralelas, em um futuro remoto onde as metrópoles de São Paulo e Rio de Janeiro já se conurbaram.

Preste atenção: Do texto do livro nascem as letras das canções do show que deve virar disco e que espera algum produtor de bom gosto trazê-lo- para Curitba. Os títulos das músicas já dão a dica da pegada do texto e o som inconfudível de FF: "Terreno das Vísceras Abandonadas", "Beco das Bíblias Bastardas", "Os Céus Estão Explorados Mas Vazios".... (SM)

Livro 2A Batalha pela Alma dos BeatlesPeter Doggett. Tradução de Ivan Justen Santana. Nossa Cultura, 512 págs., R$ 69. Biografia.

Lançado em 2009 pelo jornalista britânico especializado em música Peter Doggett, A Batalha pela Alma dos Beatles acaba de ser lançado no Brasil pela editora Nossa Cultura, sediada em Curitiba.

O livro narra em detalhes fascinantes a dura batalha enfrentada por John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Richard Starkey (Ringo) em torno da separação da banda, aprisionada por uma teia de empresas e contratos no fim da década de 1960.

Com base em entrevistas e em uma extensa bibliografia, o autor revela o lado mais perverso da indústria musical, do sucesso e, consequentemente, daqueles jovens milionários e suas vidas, relacionamentos e personalidades extraordinárias.

Por que ler? O livro é um prato cheio para aficionados pela história da banda, e um duro golpe para os fãs que, apaixonados pelas canções icônicas criadas pelo grupo em meio ao turbilhão (como as do álbum Abbey Road, de 1969), não suspeitam das brigas violentas e do ambiente cáustico que ambientou a vida do quarteto em sua fase terminal. São ingredientes que tornam a leitura praticamente compulsória depois de iniciada. (RRC)

Livro 3Os Colegas de Anne Frank – O Reencontro dos Sobreviventes do Liceu JudaicoTheo Coster. Tradução de Cristiano Zwiesele do Amaral. Objetiva, 200 págs., R$ 25,40. Biografia.

O grande chamariz do livro Os Colegas de Anne Frank – O Reencontro dos Sobreviventes do Liceu Judaico é, obviamente, ler o que essas pessoas, que conheceram e estudaram na mesma sala de uma das personagens reais mais famosas da Segunda Guerra Mundial, têm a dizer sobre ela.

Mas, na obra de Theo Coster, a percepção sobre a adolescente de origem judaica é o que menos importa. Os amigos parecem se questionar sobre o que efetivamente fez da história da menina algo conhecido no mundo inteiro.

Preste atenção: No encontro, que rendeu um documentário, os colegas falam que Anne gostava de ser o centro das atenções, era excessivamente ciumenta e não tinha fãs apaixonados por ela, como a menina descreve no diário. Mas o que vale são as histórias de vida e de sofrimento dos amigos da jovem. Uma das colegas conta que precisou se esconder em uma floresta. Outra lembra que escapou da morte porque acabou desmotivando o soldado que lhe apontou uma arma. Segundo ela, ao invés de ver pânico e medo em seus olhos, o nazista viu desânimo e um corpo cansado de lutar com 32 quilos. Desapontado, acabou atirando para cima. (LH)

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