
DVD 1A Filha da Minha MulherFrança, 1981. Direção de Bertrand Blier. Lume Filmes. R$ 39,90.
Rémi (Patrick Dewaere) é um músico decadente que vive com a mulher, Simone (Geneviève Mnich), e a enteada de 14 anos, Marion (Ariel Besse). Quando Simone morre em um acidente automobilístico, a adolescente decide continuar morando com o padrasto, ao invés de se mudar para a casa do pai, Charly (Maurice Ronet). Compartilhando com Rémi a dor pela perda de Simone, logo Marion se vê completamente apaixonada por ele. O padrasto a princípio resiste, mas depois se deixa envolver pelos encantos da ninfeta. Um olhar apressado pode remeter a Lolita, o clássico de Vladimir Nabokov que teve duas adaptações para o cinema uma realizada por Stanley Kubrick, em 1962, e outra por Adrian Lyne, em 1997. Mas a história de Bertrand Blier é menos trágica, e sua ninfeta menos cruel que a do escritor russo.
Por que ver? Um dos clássicos do "rebelde" Bertrand Blier, que faturou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 1978, com Preparem Seus Lenços, é um drama romântico tocante, com atuações sublimes de Patrick Dewaere e Ariel Besse. Também chama a atenção um recurso bastante usado por Woody Allen atores "conversando" com a câmera antes da ação. Foi indicado à Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1981, enquanto Dewaere disputou o César de melhor ator no ano seguinte. (LP)
DVD 2PoesiaCoreia do Sul, 2010. Direção de Lee Chang-dong. Imovision. Locação.
Há quem diga que Poesia, filme que ganhou o prêmio de melhor roteiro no festival de Cannes de 2010, foi injustiçado e deveria ter levado a Palma de Ouro (vencida pelo tailandês Apichatpong Weerasethakul, com Tio Boonmee, Que Pode Recordar Suas Vidas Passadas). De fato, o trabalho dirigido por Lee Chang-dong impressiona por ser simples, mas tratar com grande complexidade as relações humanas.
O longa-metragem conta a história de Soon-Mi (Yoon Hee-jeong), uma senhora de 65 anos, moradora do subúrbio de Seul, que tem de conciliar o trabalho e a criação de um neto adolescente e problemático, que foi deixado pela mãe. Para ganhar a vida, Soon-Mi trabalha como doméstica e cuidadora de um idoso doente. Repentinamente, ela decide se matricular em um curso de poesia e é desafiada a escrever e ter um novo olhar sobre a vida, enquanto enfrenta uma realidade dura e a notícia de que está com mal de Alzheimer.
Por que ver? Pela delicadeza com a qual a personagem enfrenta o choque de realidade. Ao mesmo tempo em que a avó começa a se envolver com o mundo poético e parece querer distância dos problemas, ela é surpreendida pela notícia de que seu neto, junto com outros alunos, é acusado de ter violentado uma garota na escola, precisa arrumar dinheiro para uma indenização e conseguir apoio da filha ausente. Destaque para a interpretação da protagonista, que é uma das atrizes mais famosas da Coreia do Sul e tem mais de 300 filmes no currículo (IR).
HQCowboys & AliensScotty Mitchell Rosenberg, Fred Van Lente, Andrew Foley e Luciano Lima. Tradução de André Gordirro. Galera Record, 112 págs., R$ 42,90.
Graphic novel que deu origem ao filme homônimo dirigido por Jon Favreau (de Homem de Ferro) que estreia no Brasil ainda neste mês, Cowboys & Aliens conta a história de uma invasão alienígena ocorrida no faroeste americano no século 19. Rado Dar, o invasor que comanda a frota extraterrestre, quer colonizar a Terra neutralizando todo ser humano que encontra à sua frente. Intrometendo-se na tensa relação entre os cowboys e os índios americanos, os invasores obrigam brancos e peles-vermelhas a se unir contra um mal comum.
Preste atenção: Repare no prólogo do livro, que compara a invasão alienígena aos pioneiros do oeste, movidos pelo Destino Manifesto, pensamento popular no século 19 que atestava o direito divino dado aos Estados Unidos para colonizar a Terra. A ideia de que seres superiores tinham o dever de governar seres inferiores é igualmente expressa por vaqueiros e ETs. O desenho a lápis do brasileiro Luciano Lima, que já assinou quadrinhos para a editora Marvel, como Wolverine e X-Force, e compõe quadros plasticamente interessantes, repletos de movimento e onomatopeias. (YA)
SiteFoto Grafiawww.revistafotografia.com.br
A revista digital Foto Grafia, da editora Lapis Comunicação e Cultura, apresenta, trimestralmente, reportagens sobre fotografia, discutindo temáticas atuais que envolvem o processo fotográfico, divulgando novos fotógrafos e relembrando os profissionais já consagrados.
Entre as propostas inovadoras da revista, que promovem a participação e contribuição efetiva do leitor com o veículo, estão: leitura de portfólio, na qual um jovem fotógrafo pode submeter o seu trabalho para avaliação de um profissional experiente; publicação de ensaios fotográficos de novos artistas e de artigos acadêmicos sobre a área, divulgando referências teóricas no segmento e oportunizando um espaço de pesquisa para outros estudos.
A revista está disponível no site para visualização on-line ou download.
Por que ler? O conteúdo é rico e com abordagens muito relevantes. A possibilidade de conhecer o que está sendo produzido na área vale a leitura. O ponto alto para fotógrafos (amadores ou não) e pesquisadores da área é a possibilidade de divulgação de suas produções. (MB)
CDFinding the KeysJools Holand & His Rhythm & Blues Orchestra. Warner Music. R$ 32. Blues.
O inglês Jools Holland começou a vida tocando em pubs na região das docas de Londres. Em 1976 participou da sua primeira gravação em estúdio acompanhando uma banda de punk rock e não parou mais. Sua especialidade é o rhythm and blues, mas Jools tem acompanhado muitos músicos de jazz, blues e rock, alguns deles seus convidados no programa Later with Jools Holand, transmitido há quase 20 anos pela BBC. Neste CD, o piano de Jools se faz ouvir ao lado de músicos de várias gerações: Solomon Burk, Eric Clapton, Ruby Turner e Dr. John. Em "A String of Pearls" ele encarna o bandleader. Na faixa seguinte, "I Went By", acompanha Louise Marshall (da nova geração de cantoras inglesas) em uma canção com pegada soul.
Preste atenção: Na execução de peças instrumentais em que a banda se esmera e parece se divertir, resgatando o prazer e o ritmo das big bands. (MS)



