
Livro 1
Sete Monstros Brasileiros
Braulio Tavares. Ilustrações de Fernando Issamo. Casa da Palavra, 112 págs. R$ 34,90. Contos de horror.
O folclore brasileiro sempre foi habitado por criaturas medonhas, repletas de sentimentos vingativos e fome de carne humana. Por alguma razão, esse catálogo de monstros acaba relegado a uma cultura oral, raramente passado adiante por meio da literatura de horror. Em seu novo livro de contos, o escritor paraibano Braulio Tavares pretende mudar isso.
Em Sete Monstros Brasileiros, da Editora Casa da Palavra, o autor apresenta a história de bestialidades do imaginário nacional como Iara, Carbúnculo e Corpo-Seco. Até mesmo a versão tupiniquim do lobisomem dá as caras, caracterizado por ser o sétimo filho não batizado de uma família do interior do país.
Por que ler? O trabalho literário de Tavares é fruto de uma pesquisa a respeito das criaturas do folclore brasileiro, discutidas por intelectuais como Luís da Câmara Cascudo e Gilberto Freyre. Nas historietas que compõem a sua obra, o paraibano brinca com estilos narrativos, modernizando algumas propostas e retomando os aspectos mais sombrios de cada lenda. A leitura é rápida e indicada para adultos e crianças corajosas. (RS)
Livro 2
Caderno Provinciano
Chico Lopes. Editora Patuá, 150 págs. R$ 35. Poesia.
Semifinalista do Portugal Telecom de 2014, Caderno Provinciano é a grande estreia poética de um dos mais versáteis intelectuais brasileiros. Artista plástico, tradutor, crítico de cinema, contista e romancista, o paulista Chico Lopes entrega uma série intimista de poemas escritos entre 1980 e 2003. A noite e a solidão conduzem o leitor, silenciosamente, a um certo mundo melancólico, "a dor de mil segredos", e de métrica fina, como em trecho de "Areal": "As facas se entrecruzam, são dispostas/ espadas sobre a seda, e o desenho/ da nobre solidão claro se torna / é mão jazendo à espera na bigorna".
Lírica de rumos filosóficos, Lopes pode ser considerado umas das maiores revelações poéticas dos últimos anos: "Investigar o fundo, onde o começo,/ misturado ao meio, é ainda o fim./ investigar o fundo, onde o desprezo/ se mescla às orações e ao jasmim".
Por que ler? Como bem diz o poeta e ensaísta Yacir Anderson Freitas, na apresentação do livro, são raros os escritores que conseguem alternar-se em universos distintos e sempre dar singularidade ao novo campo de projeção. Lopes consegue façanhas ainda mais dignas: construir boas imagens, ter apuro técnico e ser amplamente acessível. (DZ)
CD 1
Samba do Revista
Revista do Samba. Tratore (distr.). R$ 24,90. MPB.
Há 15 anos na estrada, o trio paulista Revista do Samba está lançando seu quinto disco, Samba do Revista. Com produção de Paulo Lepetit, do Isca de Polícia um dos principais parceiros de Itamar Assumpção (1949-2003) , o disco traz músicas dos bambas da velha guarda paulista Osvaldinho da Cuíca e Seu Maninho da Cuíca, presente nas gravações. Mas vai além do gênero ao reunir referências múltiplas, que alcançam desde o rap (em "Gravata Colorida", que traz participação de Zinho Trindade) até o Paquistão em "Rasta-pé do Cercadinho" uma das composições de autoria de integrantes do trio, formado por Letícia Coura (voz e cavaquinho), Beto Bianchi (violões e vocais) e Vítor da Trindade (percussão e vocais).
Preste atenção: Este clima de espontaneidade imprime frescor ao trabalho e chama a atenção em faixas como a divertida "Aum", que alia humor e simplicidade a liberdade musical. O trabalho do grupo pode ser ouvido no site soundcloud.com/revistadosamba. (RRC)
CD 2
Um Samba Diferente
Demônios da Garoa. Biscoito Fino. R$ 32. Samba.
Os Demônios da Garoa estão na ativa desde 1940. A banda composta pelo vocalista Arnaldo Rosa hoje é liderada por seu filho, Sérgio, e conta em sua formação com Ricardo Rosa, terceira geração da família sambista.
É indiscutivelmente o conjunto vocal de samba mais importante de todos os tempos e suas gravações de músicas de Adoniran Barbosa eternizaram a linda página do samba paulista na história da música brasileira.
Os "demônios" acabam de lançar um disco de inéditas, o primeiro em 15 anos. Com boa produção e tratamento de som, a essência da música é a mesma de sempre, o que é muito bom. Ainda que haja espaço para canções mais antigas, como a faixa-título, o trabalho é focado em composições mais atuais, de jovens compositores como o violonista mineiro Wilder Paraizo, o Dedé, o primeiro "demônio" não paulista.
Preste atenção: Entre as 14 faixas do álbum há belos sambas, com arranjos bem resolvidos que não perdem a jocosidade e a inconfundível harmonia vocal dos Demônios da Garoa. Destaque para o breque "Bêbado Mineirim", um divertido samba que conta a história de um mineiro de Belo Horizonte que vivia se embriagando pela cidade. (SM)
Box
CSNY 1974
Crosby, Stills, Nash & Young. Rhino. Importado. US$ 55 (nos formatos 3 CDs + DVD ou Pure Audio Blu-Ray + DVD). Folk.
Celebrando o aniversário de 40 anos da turnê CSNY 1974, do superquarteto de folk Crosby, Stills, Nash & Young, a gravadora norte-americana Rhino acaba de lançar uma caixa especial, ainda inédita (possivelmente para sempre) no mercado brasileiro.
Em uma embalagem luxuosa, feita de madeira, o box está disponível em duas versões: três CDs com o repertório completo da turnê (40 músicas) registrado ao vivo, mais um DVD com filmagens de oito canções; ou Pure Audio Blu-ray (qualidade de som em altíssima definição), mais DVD.
Por que comprar? Ao vivo, as famosas harmonias vocais de David Crosby, Stephen Stills, Graham Nash e Neil Young parecem ainda mais fundidas, unificadas em uma só voz, algo que, nos registros de estúdio, não era captado com tanta emoção. Além disso, o box vem acompanhado de um livro de 188 páginas de fotos inéditas do grupo. Uma verdadeira arca de nostalgia. (JG)



