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O cantor Marrone, da dupla Bruno e Marrone, estava sentado na posição do piloto no momento do acidente ocorrido na segunda (2) em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, apesar de não estar comandando a aeronave. É o que diz a assessoria de imprensa do sertanejo. "Os dois lados do helicóptero têm comando e o lado técnico e normalmente usado pelo piloto é o lado direito. Marrone estava do lado direito, mas não estava comandando", disse a assessora da dupla Sílvia Colmenero.

De acordo com ela, o helicóptero que pertence ao cantor estava com os dois comandos acionados, já que o piloto tinha o hábito de acioná-los em viagens longas. "O piloto estava do lado esquerdo e era quem pilotava", afirmou.

A assessora disse ainda que Marrone já fez curso para pilotar helicóptero, mas não tem o "brevê" (licença para pilotar).

De acordo com a assessoria da Aeronáutica, que investiga o acidente, a apuração tem a finalidade de identificar os fatores que contribuiram para o acidente, bem como emitir recomendações de segurança de voo.

O presidente da Associação Brasileira de Pilotos de Helicóptero (Abraphe), comandante Rodrigo Duarte, explicou que, em aeronaves do mesmo modelo, o piloto vai do lado direito porque comandos de motor e os instrumentos são voltados para a visão de quem está nessa posição. Como o helicóptero tem um duplo comando, no entanto, é possível que um piloto vá do lado esquerdo. Mas, segundo ele, isso "não é usual". "Quem estiver do lado direto estará exercendo a função de comandante", afirmou. O duplo comando geralmente é usado, de acordo com Duarte, em casos de voos de instrução, em que o aluno irá do lado direito e o instrutor, do esquerdo.

Investigação

O funcionário que abasteceu o helicóptero de Marrone minutos antes de a aeronave cair no início da semana ferindo três pessoas é aguardado para ser ouvido durante a tarde desta quinta-feira (5) pela Polícia Civil de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo. A investigação apura quem é o responsável pelas lesões corporais contra as vítimas e quer saber da testemunha quem pilotava o helicóptero.

Os delegados do 2º Distrito Policial, onde o caso foi registrado, têm dúvidas sobre quem comandava a aeronave no momento da sua queda. As causas do acidente estão sendo investigadas pelo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa 4), órgão ligado ao Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, da Aeronáutica.

Segundo investigadores, o funcionário afirmou informalmente que viu Marrone pilotar a aeronave antes de ela ser abastecida no aeroporto de Rio Preto. Ele não soube dizer quem decolou o helicóptero. Por esse motivo, a testemunha foi chamada para prestar esclarecimentos à polícia.

"Queremos saber dele quem pilotava o helicóptero porque tivemos informações de que testemunhas de que o piloto não estava no comando da aeronave", disse o delegado titular do 2º Distrito Policial, Domingos José Marcos, onde o caso foi registrado.

Segundo o delegado titular, seu assistente, o delegado José Luiz Chain, está à frente da equipe de investigação. "O funcionário será ouvido pelo Chain", disse José Marcos. O nome da testemunha também não foi divulgado.

De acordo com os investigadores, o homem responsável pelo abastecimento que deve ser ouvido nesta quinta chegou a dar entrevista dizendo que viu o cantor pilotar o helicóptero. Ainda segundo os policiais, esse mesmo funcionário disse que não foi a primeira vez que Marrone pilotava a aeronave no local.

As próximas pessoas a serem ouvidas pela polícia são os sobreviventes da queda do helicóptero. "Mas ainda teremos de saber quando o cantor, o piloto e até o empresário poderão prestar esclarecimentos", disse o delegado José Marcos.

Pelo boletim de ocorrência número 751, elaborado no 2º DP, o acidente ocorreu às 14h30 de segunda numa área utilizada para a realização de rodeios em Rio Preto. Os três ocupantes da aeronave aparecem como vítimas: José Roberto Ferreira, o Marrone, de 46 anos, teve ferimentos leves; o empresário Jardel Alves Borges, de 33, continua internado; e o piloto Almir Carlos Bezerra, de 49 anos, teve parte da perna decepada na queda.

Segundo o boletim, a natureza da ocorrência a ser apurada é a de lesão corporal culposa (sem intenção). O histórico do registro narra que o helicóptero de propriedade do cantor sofreu graves danos após ter batido em uma torre metálica de 15 metros de altura e em um árvore.

Ainda de acordo com o documento, a caixa preta da aeronave estava no lugar, mas uma das poltronas dianteiras e as hélices haviam sido arrancadas. Diversas malas e objetos pessoais foram encontrados espalhados pelo chão. O cantor e o empresário foram socorridos a um Hospital de Base local e piloto à Santa Casa de Misericórdia.

Foi solicitada também perícia para o local, e para o helicóptero e objetos. A polícia ainda pediu a realização de exame de corpo de delito para as vítimas no Instituto Médico-Legal (IML).

De acordo com oficiais da Aeronáutica, não consta da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) qualquer licença para pilotar aeronaves no nome de Marrone. Segundo a Anac, a documentação e manutenção do helicóptero estão regularizadas e não apresentavam problemas.

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