
Nos prêmios mais esperados do Globo de Ouro embora isso seja relativo, já que algumas séries têm mais moral que muitos filmes , Boyhood (drama) e O Grande Hotel Budapeste (musical ou comédia) foram considerados os melhores filmes. O primeiro foi uma barbada e o segundo, uma surpresa, desbancando Birdman.
No campo da televisão, saíram vencedoras as séries Fargo, The Affair e Transparent. Estas enfrentaram um páreo dificílimo em que abundavam os palpites, mas era inútil apontar favoritos.
A cerimônia foi realizada na noite do último domingo, em Los Angeles, apresentada pela última vez pelas comediantes Amy Poehler e Tina Fey, as mesmas das últimas duas edições da festa. No tapete vermelho e também no palco do prêmio, vários artistas lembraram o atentado contra a revista francesa Charlie Hebdo, na semana passada, em que 12 jornalistas e cartunistas foram mortos por extremistas islâmicos.
Boyhood venceu ainda os prêmios de diretor (para Richard Linklater) e atriz (para Patricia Arquette).
Um dos momentos mais esperados da noite foi a homenagem para George Clooney, que recebeu o Prêmio Cecil B. de Mille por sua "contribuição para o mundo do entretenimento". Ele usou no tapete vermelho um broche com a frase "Je suis Charlie/I am Charlie", solidário com as vítimas do ataque terrorista ocorrido em Paris.
Para muita gente, o Globo de Ouro é o prêmio de maior prestígio dos EUA, porque é atribuído pela crítica. O Oscar e o Emmy são da própria indústria do entretenimento.
Um dos pontos mais emocionantes da noite foi a premiação (mais ou menos esperada) de Michael Keaton por Birdman. Ele se emocionou ao falar do filho e depois brincou, dizendo que havia quebrado a regra de nunca se emocionar ao falar em público nem nunca fazer aspas no ar com os dedos.
O streaming ganhou espaço com Transparent, série produzida pela Amazon, mas a disputa de tevê foi mesmo entre Fargo e True Detective, como minisséries. Cada uma recebeu cinco e quatro indicações e eram as favoritas nas categorias mais importantes, mas True Detective não levou nada. O prêmio de melhor ator em minissérie foi para Billy Bob Thornton, por Fargo, que é baseada no filme dos irmãos Coen, vencedor do Oscar de 1996.
Outra surpresa veio com a categoria de melhor série dramática, que premiouThe Affair, seriado do Showtime criado por Hagai Levi e Sarah Treem. A atriz Ruth Wilson também saiu vencedora.
House of Cards, série criada pelo serviço de streaming Netflix, ficou de novo sem o prêmio de melhor série, mas o protagonista Kevin Spacey levou com méritos o prêmio de melhor ator.
Comentário
Cerimônia pareceu meio constrangida
Irinêo B. Netto, editor do Caderno G
O Globo de Ouro costumava ser mais espontâneo e menos sisudo que o Oscar. Costumava. No último domingo, a cerimônia e as duas anfitriãs pareciam constrangidas. As piadas foram poucas e quase todas envolviam a Coreia do Norte e o imbróglio com o filme A Entrevista.
O atentado terrorista contra a revista Charlie Hebdo em Paris, na semana passada, tomou conta da noite. Difícil rir e celebrar a indústria de entretenimento quando jornalistas e cartunistas são mortos, basicamente, por fazer rir e por entreter.
Quando o presidente da Associação de Correspondentes Estrangeiros, Theo Kingma, subiu ao palco para dizer que a entidade que representa é "contra qualquer um que reprima a liberdade de expressão, em qualquer parte, de Paris à Coreia do Norte", o público se levantou e aplaudiu de pé.
Nada foi memorável na premiação que acabou pouco depois das duas da manhã. Se você preferiu dormir, fez bem.





