Itália, 2008. Direção de Matteo Garrone. Paris Filmes. Classificação indicativa: 18 anos. Disponível para locação.
A mais do que famosa máfia italiana, a Camorra, que atua sobretudo na cidade de Nápoles, ganhou uma tradução artística nesta produção cinematográfica Gomorra, adaptação de livro homônimo, de autoria de Roberto Saviano.
Logo de cara, mostra-se o modus operandi dos mafiosos. Uns sujeitos em uma clínica estética são brutalmente assassinados. Todo sangue é derramado tendo como trilha sonora uma canção pop italiana. Assim as ações ocorrem: em meio ao cotidiano, como se fosse banal (e para os mafiosos é) exterminar com muitos tiros um desafeto, inimigo ou devedor de alguma pendência.
Em determinado momento, dois jovens (que ambicionam se tornar os todo-poderosos do porvir) encontram armas e vão até às margens de um lago disparar tiros à vontade, para dar vazão ao sonho de potência que a condição de capo proporciona. Essa é uma das cenas mais bem-resolvidas (e marcantes) de um filme muito bem-executado. (MRS)
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DVD 2
O Aborto dos Outros
Brasil, 2008. Direção de Carla Gallo. Classificação indicativa: 12 anos. Disponível para locação. Documentário.
O documentário O Aborto dos Outros, da cineasta paulistana Carlo Gallo, participou simultaneamente de duas mostras realizada em Curitiba no ano passado: a Mostra de Cinema e Direitos Humanos e o 3º Festival Festival do Paraná de Cinema Brasileiro Latino. Agradou por se revelar mais do que um filme engajado. É um retrato corajoso e sensível de um grave problema social brasileiro. Carla acompanhou cinco mulheres, com idade entre 13 e 28 anos, desde o momento em que dão entrada em um hospital público para abortar. Outras três mulheres falam sobre seus abortos em clínicas clandestinas. O filme vai além da militância pró-aborto, pois se interessa pelos sentimentos e pelas motivações que levaram cada uma destas mulheres (uma amostra pequena, mas significativa de um grande universo), a optar pela interrupção da gestação. (AV)
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CD 1
Sounds of the Universe
Depeche Mode. Mute/EMI. Importado. Preço médio: US$ 20.
Com lançamento mundial marcado para a próxima terça-feira (21), o mais novo álbum do trio inglês Depeche Mode, Sounds of the Universe, deve saciar a sede dos leais fãs da banda, que não ouvem canções inéditas desde Playing the Angel (2005).
Desta vez, Dave Gahan, Martin Gore e Andrew Fletcher resgataram instrumentos que costumavam utilizar no início da carreira da banda, a fim de reproduzir os "sons do universo" aos moldes dos anos 80.
Camadas de sintetizadores analógicos são marcantes em momentos como a faixa de abertura "In Chains", canção conduzida pela linha de baixo, de andamento lento e clima soturno. Já "Hole to Feed", de textura suja e distorcida, é totalmente comandada pela impressionante voz de David Gahan, que também surpreende na claustrofóbica "Wrong", primeira música de trabalho do disco.
Estruturas pop e linhas de vocal melódicas e emocionadas dão o tom das dançantes "Fragile Tension" e "In Sympathy", que logo devem bombar em pistas de dança de todo o mundo.
No Brasil, Sounds of the Universe ainda não tem data de lançamento definida, mas deve chegar em breve às prateleiras nacionais pela EMI. Para os mais ansiosos, a versão importada do disco pode ser adquirida em cinco formatos diferentes: CD, vinil, CD+DVD, download digital ou uma caixa especial (contendo álbuns de remixes, faixas-extras e demos, mais um DVD com vídeos promocionais e cenas da gravação). (JG)
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CD 2
Fearless
Taylor Swift. Universal. Preço médio: R$ 39,90.
A estrela country Taylor Swift é uma garota prodígio. Além de cantar muito bem (sua voz lembra bastante a de Suzanne Vega, cantora folk que fez bastante sucesso nos anos 1980 e 90), ela escreve todas as suas músicas. São canções que que embora tenham bastante a ver com o público bem jovem, oferecem letras inteligentes, sinceras, além de invejável frescor melódico, potencializado por bons arranjos que fogem bastante do esquemão pasteurizado do gênero. Todo seu êxito, portanto, tem uma razão de ser.
Aos 19 anos, Taylor conseguiu ter dois álbuns entre os dez mais vendidos nos Estados Unidos simultaneamente. Fearless, seu segundo CD, que agora chega ao mercado brasileiro, é o disco mais vendido em 2009 nos EUA. E já emplacou quatro megahits: "Love Story", White Horse", "Change" e "You Belong with Me". A edição nacional tem um bônus: inclui dois sucessos do primeiro (e autointitulado) álbum da cantora: "Teardrops on My Guitar" e "Our Song". Uma estratégia para apresentar a cantora ao público do Brasil. (PC)
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Livro 1
O Trânsito de Vênus
Shirley Hazzard. Companhia das Letras, 480 págs., R$ 65. Romance.
Depois de publicar O Grande Incêndio, talvez o livro mais importante de Shirley Hazzard, que levou duas décadas para escrevê-lo, a Companhia das Letras edita O Trânsito de Vênus, que, se fosse usada a mesma lógica, seria o segundo livro mais importante de sua bibliografia. Australiana radicada nos EUA, Hazzard tem uma história de vida peculiar, que inclui um trabalho para o serviço secreto britânico quando tinha apenas 16 anos. O romance que sai agora fala de duas irmãs que deixam a Austrália para recomeçar a vida na Grã-Bretanha pouco depois de terminada a Segunda Guerra Mundial. Com sensibilidade, a escritora descreve os pequenos eventos extraordinários da vida, como o encontro de um homem e uma mulher que se apaixonam porque estão lendo o mesmo livro. (IN)
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Livro 2
A Arte da Vida
Editora Zahar, 180 páginas. R$ 30. Ensaio.
Quando o polonês Zygmunt Bauman decide responder "o que há de errado com a felicidade?" não há fórmulas, não há respostas fáceis. Mas há uma reflexão acessível, sensata e que não tende para o ceticismo. Observador experiente da realidade, ele aponta ilusões que a vida moderna nos incutiu: a crença na prosperidade econômica como elemento essencial da felicidade, a rapidez histérica do cotidiano. Sobre Bauman já se disse que é um dos poucos sociólogos contemporâneos "nos quais ainda se encontram idéias". Indiferente às fronteiras disciplinares, ele é um dos líderes da chamada "sociologia humanística". Autor prolífico e de renome internacional, aumentou significativamente sua produção após a aposentadoria, em 1990. É instigante ler um texto de um sociólogo e acadêmico rigoroso que discute a busca permanente pela felicidade. (MS)



