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Música

Gospel australiano em Curitiba

Entrevista: Steve McPherson, compositor e criador do Hillsong

McPherson é autor de muitas das músicas cristãs cantadas no Brasil dirige louvor em igreja batista | Hedeson alves/Gazeta do Povo
McPherson é autor de muitas das músicas cristãs cantadas no Brasil dirige louvor em igreja batista (Foto: Hedeson alves/Gazeta do Povo)

Se você entrar hoje em vários templos evangélicos, irá ouvir músicas muito parecidas. Essa "semelhança" tem um nome: Hillsong. Em 1992, essa igreja australiana começou a gravar as músicas que compunha, e vendeu desde então mais de 11 milhões de cópias – como comparação, os Jonas Brothers, garotos pop do momento, venderam 8 milhões.

Dezenas das composições do Hillsong foram traduzidas e adotadas a rodo pelos cristãos brasileiros, o que acabou dando uma cara parecida aos cantos de louvor de igrejas ao redor do país.

A força dessas composições vem de cerca de 50 criadores baseados em Sydney, onde o Hillsong tem sua igreja-base. Contando com as filiais de Londres, Moscou, Paris, Berlim, Kiev (Ucrânia) e da Cidade do Cabo (África do Sul), são 35 mil membros, dos quais mil são músicos, cantores e dançarinos.

Para ajudar igrejas de outros países a adotar melhor suas músicas, o Hillsong investe em treinamento e tradução, oferecendo oficinas ao redor do mundo. Foi esse cuidado que trouxe a Curitiba o music publisher do grupo, Steve McPherson, para apresentar oficinas sobre música cristã dentro do evento Louvação, da Primeira Igreja Batista. Steve é autor de algumas das letras entoadas em igrejas pelo Brasil afora, como "Jesus Lover of My Soul". Saiba qual é o segredo do sucesso do estilo gospel australiano na entrevista concedida por Steve à Gazeta do Povo:

Como o Hillsong se tornou um sucesso?

Começamos a compor dentro da igreja no fim dos anos 1980 e a vender porque as pessoas perguntavam onde podiam conseguir as músicas. Acho que preenchemos uma lacuna, porque a música cristã tem um padrão tradicional, e nós não seguimos ele. Fizemos música no nosso estilo, porque somos da Austrália e nossa cultura é um pouco diferente.

Como ela é?

Bom, ela não soa como música da América do Norte... somos mais descontraídos e isso aparece na música, que é divertida, não é rígida. Nós não exageramos na produção. Queremos ser um grupo ao vivo, cru. Havia na igreja essa necessidade por música fresca, contemporânea e ao mesmo tempo teologicamente correta.

Qual a sua missão?

Alcançar o mundo com uma igreja baseada na Bíblia e encorajar as pessoas a influenciar seu mundo. Nossas bandas [são vários grupos, de formação móvel] servem para inspirar as pessoas a adorar. A música tem uma forma de tocar as pessoas mais do que as palavras faladas. Toca o coração porque é arte além da linguagem. As pessoas são inspiradas pela música e pensam em seu relacionamento com Deus.

Vocês têm mil músicos porque eles procuram a Hillsong ou porque vocês ensinam música?

As duas coisas.

Vocês diriam que fazem pesquisa musical?

Não, acho que as pessoas respondem ao que fazemos porque apreciam o ministério, mas não somos uma gravadora.

Como vocês equilibram a missão com as necessidades mercadológicas?

Temos pessoal de marketing profissional, para garantir royalties. Agimos como uma empresa normal. Mas não escolhemos uma música para um álbum porque vai vender e sim porque funciona na igreja.

O que vocês acham de grupos religiosos como U2 e Lifehouse que raramente usam as palavras "Deus" ou "Jesus"?

Há lugar no mundo para música que brilhe a luz de Deus. Gosto de ver um estilo pop que tenha a verdade... e é isso o que toca nas rádios cristãs dos EUA, pop contemporâneo... não a nossa, que é ao vivo e simplesmente de louvor.

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