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Música

Green Day lança DVD com os dois maiores shows da carreira

No mundo da música, integrar o chamado "mainstream" e manter a espontaneidade criativa parece ser o maior desafio das grandes bandas deste século. São poucos os exemplos de grupos que tiveram êxito, pois a maioria sucumbiu à fama e ao dinheiro, deixando a música em segundo plano. O desafio dos músicos que atingem o estrelato é conciliar vendagens absurdas e ainda assim se preocupar em ter algo a dizer. E esta é uma tarefa muito difícil, que só é atingida por bandas perseverantes. Nesse sentido, Green Day pode ser encaixado dentro da minoria persistente.

Depois o megasucesso comercial do álbum "Dookie" (1994), terceiro da discografia do trio norte-americano, a banda passou por um certo ostracismo, com trabalhos um tanto irregulares e pouco bem-sucedidos comercialmente, como o insosso "Insomniac" e o seguinte, "Nimrod" (1997). Foi nesta época que a banda veio pela primeira vez ao Brasil para uma série de shows.

"American Idiot"A má fase culminou com o roubo das gravações do que viria a ser o sétimo álbum do grupo. Eis que, em meio a muita turbulência, o trio californiano lança em setembro de 2004 "American Idiot", que atualmente é um dos álbuns mais vendidos de 2005 - até agora já são mais de 10 milhões de cópias em todo o mundo. Chamado de "conceitual" pelo trio, "American Idiot" retoma o princípio das óperas rock, com composições de temas interligados ou que contam uma determinada história. O personagem central do álbum é Jesus of Suburbia, que vive em meio às canções repletas de críticas à Guerra do Iraque, à administração Bush e à globalização. A temática acaba sendo louvável, mesmo soando suspeita para uma banda que jamais havia demonstrado qualquer tipo de preocupação política até então.

Como uma prática de praxe daqueles grupos que estão no ápice do sucesso, a banda acaba de lançar um CD/DVD ao vivo da turnê de sua ópera rock, intitulado "Bullet in a Bible". Dirigido por Samuel Bayer, que já trabalhou com artistas como Madonna e Rolling Stones e que é responsável por todos os videoclipes saídos de "American Idiot", o DVD conta com mais de cem minutos em que se intercalam imagens dos dois maiores shows já realizados pelo trio. Ao todo, foram 130 mil pessoas, em dois dias. O disco contém ainda entrevistas e cenas de bastidores da turnê.

Para os fãs, o CD/DVD soará como mais um petardo indispensável em sua coleção. Para os mais céticos e críticos, cabem algumas ressalvas. O registro das canções ao vivo em CD, vale para aqueles que, junto com outros 10 milhões de pessoas, admiram a coerência e a simplicidade pop das "politizadas" canções de "American Idiot". Já o DVD é uma boa pedida para quem consegue se divertir assistindo a um grupo de rock em meio ao "profissionalismo" do mainstream.

Samuel Bayer mostra-se um competente diretor, porém o vídeo não consegue transmitir nenhuma naturalidade, mas apenas a preocupação de seus integrantes com aspectos alheios à música em si, como objetivo do álbum, estrutura do evento e número de pessoas. Em certo momento do vídeo, o vocalista do trio Billie Joe Armstrong resume os objetivos do trabalho: "Não tentamos criar intimidade com o público. Tentamos criar um evento, um espetáculo. Tudo se resume a ter algo de grande porte. Esse é o maio show da história do punk rock. Estamos cientes disso e não consideramos pouca coisa".

O preciosismo e, por que não, pretensão nas palavras de Armstrong podem soar ofensivas, mas lembram em alguns momentos as filmagens do documentário "Some Kind of Monster", em que a banda Metallica se debate em meio a uma crise criativa. Estes, aliás, são os momentos que fazem o DVD valer à pena, graças à "pérolas" lançadas por seus integrantes como "acho que atualmente o Green Day é sinônimo de boa música". É uma autoconscientização e egocentrismo tipicamente americanos.

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