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Máquina de Combate leva a pior contra Thanos | Marvel/Reprodução
Máquina de Combate leva a pior contra Thanos| Foto: Marvel/Reprodução

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Os X-Men habitualmente eram jogados em confrontos com os Vingadores. Em Guerra Civil II, esse posto cabe aos Inumanos, cujo lançamento para os cinemas está previsto para 2019.

Parece lógico: se alguém pudesse prever o futuro, não trataria de evitar todos os erros que aparecessem em seu destino? Pois o dilema ético sobre alterar ou não o futuro é o mote da segunda Guerra Civil entre heróis da Marvel, editora americana que usou a fórmula de reviver seus grandes eventos recentemente em “Guerras Secretas” – que será publicada no Brasil ainda em 2016 – e agora repete com a série o sucesso de 2006 nos quadrinhos e estouro de bilheteria em sua adaptação nos cinemas, este ano. As primeiras edições e tie-ins (braços da série espalhados pelos títulos da editora) chegaram às bancas dos EUA nesta quinzena.

Além do dilema sobre antecipar o futuro, alterando a realidade, a II Guerra Civil ainda aproxima de vez os quadrinhos do cinema. A morte do Máquina de Combate, insinuada nas telonas, o reaparecimento de Thanos, vilão do próximo filme dos Vingadores e a desarticulação do Quarteto Fantástico e dos X-Men, cujos direitos cinematográficos pertencem à Fox e não aos Estúdios Marvel, por conta de um acordo dos anos 90, são sinais claros de como os roteiros das HQs vão passar a orientar o cinema.

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Insinuada no filme “Capitão América: Guerra Civil”, a morte de Máquina de Combate se torna realidade em “Guerra Civil II”Marvel/Reprodução

Em 2015, o New York Times perguntou isso aos seus leitores. A resposta de 42% deles foi “sim”; enquanto outros 28% declararam não estarem certos se o fariam. Como seria o mundo sem o Holocausto? É impossível afirmar, mas há quem defenda que a tragédia deveria ser evitada, enquanto outros entendem que o massacre, por pior que tenha sido, serviu para que a humanidade aprendesse suas lições e trilhasse seu caminho. É com isso que os heróis Marvel terão de lidar.

Quando o inumano Ulysses é encontrado, descobre-se que ele antevê o futuro. Na primeira visão, os Vingadores, capitaneados pelo Homem-de-Ferro (Tony Stark) se unem aos Supremos (remanescentes do extinto Universo Ultimate) chefiados pela Capitã Marvel (Carol Danvers), e evitam que um Celestial extermine a terra.

Na celebração pela vitória, o debate surge: os heróis deveriam antecipar as tragédias e agir antes de que ocorram ou esperar a primeira faísca para resolver o problema? Mais: e se um deles fosse o causador de uma tragédia, como na I Guerra Civil, quando um combate entre Os Novos Guerreiros e o vilão Nitro explodiu toda uma cidade? Não obstante, como saber se tudo o que Ulysses prevê se tornará verdade?

Cisão

Ulysses: ele consegue prever o futuro e provoca uma divisão entre os heróisMarvel/Reprodução

“Acho bacana que se explore isto. O mundo não é preto e branco como nos quadrinhos dos anos 50, 60. Os quadrinhos atuais refletem o mundo real com todas as questões morais e políticas”, afirma o brasileiro Mike Deodato, responsável pela arte de um dos títulos mais centrais de toda a trama, “Invencível Homem-de-Ferro”, com roteiro de Brian Michael Bendis.

Tony Stark, considerado um futurista, discorda da Capitã Marvel quanto a usar as visões de Ulysses para evitar tragédias. O clima entre ambos azeda, mas nenhuma decisão definitiva é tomada. Ao menos publicamente. Dias depois, Stark é avisado: Jim Rhodes, seu melhor amigo e usuário da armadura da Máquina de Combate, foi assassinado em um confronto com Thanos, em uma operação secreta dos Supremos, comandada pela Capitã. Stark se revolta e parte pra cima de Danvers, que estava tendo um romance com o falecido Rhodes.

Com a morte do Máquina de Combate e com a Mulher-Hulk gravemente ferida, está criada a cisão entre os grupos. As consequências da nova ruptura entre os heróis serão vistas nas próximas edições e mais um personagem deve morrer. Deodato faz segredo: “Vamos ter a resposta muito em breve. Fiz um monte de desenhos retratando o novo universo e deve sair pelo próximo Marvel Previews”, citando o boletim mensal da Marvel para as comic shops.

Quadrinhos e telonas

O grande dilema da série: manter tudo como está ou interferir no futuro?Marvel/Reprodução

Com um faturamento de US$ 950 milhões até maio, “Capitão América: Guerra Civil” coroou a iniciativa da Marvel de colocar seu universo nos cinemas. A estratégia, criada em 2008, é de associar cada vez mais o que o espectador encontrar nos filmes aos personagens dos quadrinhos, como relatado no livro “Marvel Comics: A História Secreta”, de Sean Howe: “O rosto do Capitão América era baseado em Brad Pitt; o do Homem de Ferro, em Johnny Depp. E Nick Fury, não mais relíquia da Segunda Guerra, foi transformado numa duplicata, tanto em termos visuais quanto verbais, do Samuel L. Jackson dos monólogos tarantinescos.” Pitt e Depp deram lugar a Chris Evans e Robert Downey Jr., mas Jackson assumiu a pele de Fury, agora negro.

Aos poucos, os personagens das HQs foram se tornando mais parecidos em seus desenhos com os traços dos atores. Os roteiros, também.

“A Marvel faz os próprios filmes, usa gente que faz seus quadrinhos como consultores, então, no fim é uma coisa só, são produtos das mesmas mentes criativas”, explica Deodato, cujos desenhos ilustraram boa parte desse reencontro.

Acordos

Máquina de Combate e seu romance secretoMarvel/Reprodução

Guerra Civil II passa a escancarar isso, de várias formas. O retorno de Thanos como pivô de novo racha entre os heróis é uma delas. Uma nova Vespa, surgida após a morte de Hank Pym, é retratada com os traços de Evangeline Lilly, atriz que fez a personagem nos cinemas em Homem-Formiga. A presença entre os Inumanos do Fera, ex-X-Men, e do Tocha Humana, ex-Quarteto Fantástico, bem como o novo status quo de Reed Richards, o Senhor Fantástico, (história a ser revelada em breve no Brasil) são sinais claros: os X-Men e o Quarteto Fantástico pertencem à Fox Studios e estão cada vez mais suprimidos na linha de HQ.

Os X-Men habitualmente eram jogados em confrontos com os Vingadores. Em Guerra Civil II, esse posto cabe aos Inumanos, cujo lançamento para os cinemas está previsto para 2019. O Homem-Aranha, um dos três personagens mais populares em quadrinhos no planeta (no pódio com Superman e Batman) é a exceção, depois do acordo com a Sony que o permitiu estar em Guerra Civil.

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