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Entrevista

“Há um olhar para a arte brasileira”

Patricia Fossati Druck, presidente da 9ª Bienal do Mercosul

A diretora da Bienal Mercosul, Patricia Fossati Druck: evento quer propor reflexão sobre visibilidade da arte | Divulgação
A diretora da Bienal Mercosul, Patricia Fossati Druck: evento quer propor reflexão sobre visibilidade da arte (Foto: Divulgação)

Setembro será um mês promissor para a arte contemporânea no Brasil, com três eventos importantes que acontecem quase simultaneamente. Além da Bienal de Curitiba, que começou no final do mês passado, ocorrem a Feira Internacional de Arte do Rio de Janeiro, aberta na semana passada, e a 9.ª edição da Bienal do Mercosul, em Porto Alegre, que será inaugurada amanhã. A diretora da Bienal Mercosul, Patricia Fossati Druck, que esteve em Curitiba para a abertura do evento local, conversou com a Gazeta do Povo sobre o momento promissor da arte contemporânea brasileira no mercado internacional, e falou das novidades que o público poderá ver este ano em Porto Alegre – Bienal com orçamento de R$ 13 milhões e que terá obras de quase 60 artistas. Patricia também é conselheira do Museu de Arte Contemporânea do Rio Grande do Sul, colecionadora de arte e patrona da Pinacoteca de São Paulo. Confira os principais trechos da entrevista:

Qual será o mote da Bienal do Mercosul deste ano?

Neste ano, a novidade da curadoria, da mexicana Sofía Hernández são as comissões de obras, que são intercâmbios entre artistas e empresas, com produções dentro desses locais. Um desses artistas foi para a fábrica de celulose Irani e está montando uma obra chamada Caverna do Morcego, do artista americano Tony Smith, que já é falecido. Essa montagem ocorrerá pela primeira vez.

E o título, "Se o Clima for Favorável" (que também estará em espanhol e inglês), o que significa?

É uma analogia à tecnologia, além da relação da natureza com a cultura e a arte. Tony Smith, por exemplo, é um artista falecido e na época que ele concebeu essa caverna, ela não poderia ser montada, pois não existia tecnologia suficiente para isso. É uma caverna toda feita de encaixes de pedaços de papelão. Com o passar do tempo, "se o tempo for favorável", a tecnologia avançou e permitiu essa construção. O título também reflete sobre como os materiais de arte se comportam, e o motivo de trabalhos e ideias ganharem ou perderem visibilidade em um dado momento no tempo.

Qual a importância de eventos artísticos simultâneos ocorrendo no país?

É uma grande vantagem, pois há grupos estrangeiros de críticos e colecionadores que só vêm ao Brasil porque eles acontecem ao mesmo tempo. Se fossem isolados, certamente, muitas pessoas não se deslocariam de tão longe. É uma estratégia boa e que deve ser mantida, é uma força para o Brasil.

Como analisa o momento atual da arte contemporânea e a valorização de artistas brasileiros no mercado internacional?

A arte brasileira está crescendo, há um olhar para o país. Na Bienal do Mercosul, dois artistas serão premiados, um brasileiro e outro estrangeiro, e vemos como os artistas, mesmo as de fora, desejam criar no Brasil. Vivenciar essa experiência brasileira para eles é inspiradora. O mercado está em ascensão, mas o acesso do público também melhorou?Acredito que sim. Para essa edição da Bienal, esperamos de 700 mil a 900 mil visitantes durante os 60 dias do evento. Desse total, 200 mil são visitas agendadas com estudantes, e o evento é 100% gratuito, o que facilita a ida das pessoas.

A Bienal de Curitiba priorizou a arte urbana neste ano. Na Bienal do Mercosul, as pessoas também poderão ver arte pelas ruas?

Aprecio muito isso e temos essa política em Porto Alegre ao longo desses 18 anos. Mas, especificamente em 2013, pelas reformas urbanísticas em decorrência da Copa do Mundo, não conseguimos utilizar muitos lugares. Teremos somente uma, de uma artista chamada Aleskandra Mir, que ficará ao longo do Lago Guaíba. Então, reduzimos nesta edição, mas é algo que apoiamos e de que gostamos.

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