
"O hardcore não é mais tão popular na América [Estados Unidos]. É no Brasil e em outros lugares da América Latina que as pessoas ainda abraçam esse tipo de som." A interessante sentença é de Johnny Christ, baixista da banda norte-americana Avenged Sevenfold, que se apresenta a partir das 21 horas de hoje no Curitiba Master Hall.
O músico conversou com a Gazeta do Povo por telefone. E seu comentário faz sentido, já que o grupo californiano foi destaque no festival SWU, em 2010, e fez disputados shows no Rio de Janeiro dia 2 deste mês, para 6 mil pessoas; e, em São Paulo, no dia seguinte, onde sete mil se espremeram para ouvir os acordes do quarteto.
Formado na Califórnia em 1999, o Avenged Sevenfold algo como "vingado sete vezes", em português , deu um tiro certeiro ao renovar a mistura do punk e do hardcore com o metal, criando uma sonoridade bastante melódica, mas que não se rende ao que hoje se chama de emo. Para o show em Curitiba, hoje à noite, a expectativa é a maior possível. "Espero que seja algo grandioso, estamos muito animados e esperamos voltar muitas vezes ao Brasil", conta Christ, de 46 anos, na banda desde 2001. O show será baseado no álbum Nightmare (2010), mas, segundo o baixista, haverá "uma extensão no repertório" e outras músicas esperadas pelo público, como "Afterlife" um dos seus maiores hits deverão fazer parte do setlist.
A Avenged Sevenfold tem seis discos de estúdio. O primeiro é Sounding the Seventh Trumpet, de 2001. Ela alcançou sucesso mundial com o álbum ganhador do disco de platina City of Evil (2005), que traz em uma das faixas o também hit "Bat Country".
Tudo o que a banda sabe sobre a cidade foi descoberto via e-mails e pelo google. "Vamos chegar, tocar e sair. Não dá tempo de nada", diz Christ. Depois do show no Master Hall, a banda segue para Porto Alegre, onde toca amanhã; e ainda passa por Buenos Aires, na Argentina, e por Santiago, no Chile, antes de voltar para as praias californianas.
Ao vivo
A apresentação do Avenged Sevenfold foi uma das maiores surpresas do festival SWU, que aconteceu em 2010, no interior de São Paulo. A presença de palco do vocalista M. Shadows é arrebatadora a sonoridade contribui, mas sua doação e performance são realmente incríveis e a banda se mostrou afiada, mesmo tendo de lidar com a estreia em turnês do novo baterista, Arin Ilejay (ex-Confide). O antigo homem das baquetas, The Reverend, foi encontrado morto na sua casa em dezembro de 2009.
"Foi incrível. Ouvimos falar muito do festival antes e tínhamos uma curiosidade em saber como era realmente o público brasileiro. O SWU contou com boas bandas, foi divertido e muito bom para nós", lembra Christ.
Destaque também são os duelos dos guitarristas Synyster e Zacky. Como este é canhoto, eles conseguem recriar aquela tradicional formação em "V" quando cruzam as guitarras, momento que lembra velhos bons momentos do hardcore.
A Avenged Sevenfold mudou sua sonoridade no decorrer do tempo. Em dez anos, passou do metal punk ao que Johnny Christ chama de "heavy rock". Nomenclaturas à parte, a estratégia, pensada ou não, serviu para que o trabalho da banda atingisse um público mais jovem. "Não pensamos muito nisso, nessas mudanças. Elas acontecem, porque temos muitas referências na música. É mais fácil, para nós, pensar em uma ideia e segui-la", conta Christ.
E um aviso para quem já comprou o ingresso: os shows no Rio de Janeiro e em São Paulo foram mais curtos do que o esperado. Duraram pouco mais de uma hora e só 12 músicas estavam no setlist.
Serviço:
Avenged Sevenfold. Curitiba Master Hall (R. Itajubá, 143), (41) 3248-1001. Dia 6, às 21 horas. R$ 208 e R$ 104.



