
Em Operação Valquíria, um grave defeito e uma inegável qualidade interagem e se digladiam da primeira à última cena. A competente direção de Bryan Singer (de Os Suspeitos) busca compensar a superficialidade e a falta de originalidade do roteiro, assinado por Christopher McQuarrie e Nathan Alexander. A história do coronel Claus Graf von Stauffenberg parece ter sido recriada para se moldar à persona pública de Tom Cruise (foto), ator que o interpreta no filme. Militar alemão que liderou o último atentado contra a vida de Adolf Hiltler, que suicidou-se nove meses mais tarde, o personagem materializa-se de maneira unidimensional.
É corajoso, pai de família amantíssimo, abnegado e incapaz de compactuar com as forças do mal. Ou seja, um herói idealizado.
A opção por não problematizar von Stauffenberg, negando-lhe qualquer complexidade psicológica ou ambiguidade, torna Operação Valquíria um filme de guerra trivial. É visualmente bonito, emocionante em alguns momentos sobretudo a partir da tentativa de assassinato de Hitler , mas que pouco ou nada explica sobre as motivações do oficial nazista. GG



