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Literatura

Homem ao mar

Nas primeiras páginas de Linha-D’Água – Entre Estaleiros e Homens do Mar (Companhia das Letras, 352 págs., R$ 41), Amyr Klink escreve: "Descobri navegando que o tempo gasto em pensar e projetar é o mais importante da vida de um barco. Mesmo uma mínima canoa de pescar lulas que não tenha um projeto escrito, foi projetada na cabeça de seu construtor, foi projetada no olhar afiado do tirador que estudou o corte na mata".

Mas Klink não planeja uma canoa de pescar lulas. A ambição do aventureiro é construir "um barco simples como canoa e cargueiro como navio". Todas as etapas dessa empreitada são o fio condutor na narrativa do livro que tem lançamento amanhã, às 19h30, na Livrarias Curitiba do ParkShopping Barigüi, com a presença do autor.

O consultor de empresas Stephen Kanitz, figura que costuma dividir o palco com Klink em palestras e eventos, defende que o paulista radicado em Parati não tem nada de aventureiro. "Se fosse, há muito teria sucumbido de inanição, de frio, ou tragado por uma onda. Ele é um planejador, um detalhista que não deixa nada para o acaso, e se prepara como ninguém para a vida que escolheu seguir", afirma Kanitz na orelha de Linha D’Água.

"Há 20 anos eu bato na mesma tecla: eu detesto aventureiros e aventuras", diz Amyr Klink em entrevista por telefone pouco antes de embarcar em vôo para Curitiba. "Até literatura de aventura eu não compro." Na sua opinião, o termo tem uma conotação negativa e é usado para definir todo tipo de irresponsáveis. "Hoje você paga uma ficha para ser jogado de uma ponte amarrado por um cabo. Eu não gosto disso." Na verdade, falta o termo adequado em português para definir uma empreitada que envolva planejamento e também implique em alguns riscos. Poderia ser, como em francês, explorador (igualmente pejorativo na opinião de Klink). Resta então empreendedor e, claro, escritor.

Autor de meia dúzia de livros, inclusive o sucesso Cem Dias entre Céu e Mar, relançado pela Companhia de Bolso, Klink, hoje com 51 anos, conta que não viaja para escrever livros, embora seja assediado por muitos que tentam convencê-lo a transformar suas histórias em texto.

Mesmo quando começou o projeto do Paratii 2, criando primeiro uma escola de soldadores e depois montando o estaleiro, ele não imaginava que a experiência terminaria encadernada. "Foi uma história interessante, cheia de crises, conflitos e descobertas", conta, destacando as soluções de engenharia que deixavam um americano impressionado e eram perfeitamente normais para um construtor no Nordeste do Brasil.

Seu livro anterior, Mar sem Fim, foi um best seller. E todos antes dele. O resultado disso é que a Companhia das Letras lança uma primeira tiragem de Linha D’Água com 40 mil exemplares – um número impressionante para os padrões nacionais. No processo de escrita, o autor conta que jogou fora 18 capítulos. Um dos prazeres de Klink foi montar a lista de "Leitura Sugerida". São 54 títulos, de Endurance – A Lendária Expedição de Shackleton à Antártida até Allmogebatar, de Alvar Zacke e Magnus Hägg, inédito no Brasil.

Linha D’Água termina com a viagem da família Klink – Amyr, a mulher Marina e os cinco filhos – para a Antártica, em busca de um tesouro escondido. Uma brincadeira do pai que rendeu as fotos do encarte de 16 páginas incluído no livro.

Serviço: Sessão de autógrafos, bate-papo e lançamento do livro Linha-D’Água – Entre Estaleiros e Homens do Mar, de Amyr Klink (Companhia das Letras, 352 págs., R$ 41). Livrarias Curitiba do ParkShopping Barigüi (R. Pedro Viriato Parigot de Souza, 600 – Mossungê), (41) 3330-5186. Amanhã, às 19h30. Entrada gratuita.

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