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Turnê

Ícone do novo folk, Andrew Bird revê a carreira

Bird: com dez discos lançados, músico deve tocar hits no Brasil | Divulgação
Bird: com dez discos lançados, músico deve tocar hits no Brasil (Foto: Divulgação)

"As pessoas falam em uma renascença do folk porque condensar frases facilita a comunicação. Mas a nós, artistas, não ajuda em nada."

Aos 39 anos, Andrew Bird não concorda com quem o alça a ícone do novo folk – também dito folk psicodélico, o rótulo cerca atrações tão variadas quanto Devendra Banhart e Edward Sharpe.

"Minha música é só o que faço da vida, nunca fui parte de movimentos", diz, ao telefone. "No mais, o novo folk já veio e já foi e eu estou aí."

Com dez discos desde 1996, lançou dois no ano passado. "Break It Yourself tem canções que levei anos para escrever. Tocá-lo ao vivo nos inspirou a levar mais longe a crueza em Hands of Glory."

Inspirados por atmosferas acústicas e "coisas velhas do gospel", os álbuns têm joias tranquilas como "Three White Horses" e "Give it Away". Mas não serão protagonistas nesta sexta-feira, 22, quando Bird se apresenta no Teatro Pedro Ivo, em Florianópolis (SC). "Estou em clima de retrospectiva. Não vejo mais sentido em promover novos discos", decreta. Nos shows no Brasil – ele toca amanhã no Rio de Janeiro e no sábado em São Paulo – , os fãs vão ouvir hits antigos, como "Imitosis".

Camadas

Bird faz música fácil de ouvir, mas difícil de legendar. Sua mescla minimalista abriga heranças da formação sinfônica na Northwestern University, traços do cancioneiro brejeiro e, não raro, ares de jazz, indie rock e country.

Essencialmente cantor e violinista, ele é notório pelo assovio límpido e pela manipulação eletrônica ao vivo. Enquanto alterna violino, violão e instrumentos como ukulelê e metalofone, Bird mantém os pés ocupados com pedais gravadores. Neles, registra improvisos que depois servem de base para outros, em sobreposição de camadas.

Bird gosta de refletir sobre o fazer musical. Ele manteve diários no blog "Measure for Measure", do jornal The New York Times, enquanto gravava Noble Beast, de 2009.

Para ele, música e letras estão em desigualdade. "Melodias vêm e vão. Palavras requerem mais paciência."

E quando dá as caras, o que traz a inspiração? "Histórias que nos digam algo sobre aquilo de que somos feitos."Show Andrew Bird em Florianópolis. Teatro Pedro Ivo (Rodovia SC 401, Km 5, 4.600), (48) 3665-1630. Dia 22, às 21 horas. Ingressos a R$ 160 e R$ 80 (meia-entrada).

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