Adaptar títulos de filmes é um velho problema dos distribuidores brasileiros. Na maioria das vezes, eles fazem coisas esdrúxulas, como dar o nome em inglês seguido de sua tradução em português Shine Brilhante, Hurricane O Furacão , ou imaginam títulos que não têm nada a ver com a história do filmes desses, o melhor (pior) até hoje é Parenthood O Tiro Que Não Saiu Pela Culatra, comédia do fim dos anos 80 com Steve Martin.
Menina Má.com, filme que estréia hoje em Curitiba, entra na categoria daqueles títulos infelizes que entregam logo de cara o segredo ou suspense da produção. No original, o filme dirigido por David Slade se chama Hard Candy, aqueles doces duros, tipo quebra-queixo, que invariavelmente detonam os dentes ou seja, algo que incomoda as pessoas. Para completar, o cartaz principal apresenta um menina vestida como se fosse uma inocente Chapeuzinho Vermelho de pé sobre uma armadilha de ferro.
Com as palavras menina e má na mente, o espectador só fica esperando para ver o que aquela garota, de 14 anos, aparentemente frágil irá fazer com o cara mais velho que marca um encontro com ela depois de um bate-papo via internet (explicando o ponto com do restante título). Isso quebra toda o suspense seguinte, quando ela resolve torturá-lo, acusando-o de ser pedófilo esta revelação só está sendo feita porque tudo já foi entregue pelo título.
Mas voltemos ao início do filme. Há tal conversa, um pouco sacana, via web. Depois, o encontro na cafeteria, um tanto banal e inocente, dá algumas pistas falsas do que irá acontecer quando os dois forem para a casa do rapaz. É lá que se inicia um assustador jogo psicológico entre a menina Hayley (Ellen Page, a Kitty Pryde de X-Men O Confronto Final) e o fotógrafo Jeff (Patrick Wilson, de O Fantasma da Ópera).
Slade, diretor de videoclipes, comanda bem esta primeira parte da trama, com muitos closes que captam a tensão dos dois personagens com uma ótima interpretação de Page. O tema espinhoso e polêmico da pedofilia é tratado com uma abordagem diferente segundo a produção, baseado em fatos e notícias reais de casos envolvendo meninas no Japão.
Mas o diretor e seu roteirista (Brian Nelson) não ousam, perdendo a oportunidade de se aprofundar em algumas abordagens psicológicas que o assunto poderia gerar. A opção é pelo terror comum, baseado no embate físico entre os protagonistas, algo que vai se tornando cada vez mais inverossímil à medida que se avança para o final da história. Slade poderia ter arriscado mais e ido além da premissa inicial. Ainda assim, o cineasta constrói uma produção que consegue prender a atenção do espectador. GGG



