
Los Angeles - Sexto ator a interpretar o papel do agente secreto criado pelo escritor Ian Fleming na série oficial, Daniel Craig protagonizou a maior mudança de perfil do 007 desde que o personagem irrompeu nas telas. Na verdade, toda essa mudança consistiu num movimento básico o retorno às origens.
Embora seu tipo físico seja diferente dos atores que mais marcaram no papel e Sean Connery havia sido o melhor 007, antes dele , Daniel (ninguém o chama de "Mr. Craig") é o que mais se aproxima da descrição do escritor. E ele também é o mais violento dos James Bond da tela.
Uma nota de produção, confirmada pelos produtores Barbara Broccoli e Michael G. Wilson, garante que 007 Quantum of Solace foi o que mais acidentes teve durante as filmagens. Nunca tantos figurantes se machucaram e tudo em nome de um realismo que transforma as cenas de ação em grossas pancadarias.
Na tela, Daniel bate e arrebenta. Sua luta com o vilão Green (Mathieu Amalric, de O Escafandro e a Borboleta) é brutal, mas o ator é um homem elegantíssimo. Quantum of Solace não é um título fácil. O que vai chamar o público é o 007 que o antecede, incluído na versão brasileira.
Quantum é o nome da organização criminosa que o herói combate, e que tem a fachada de defesa ecológica, embora Mr. Green esteja mais interessado em controlar reservas de água. Quantum of Solace quer dizer alguma coisa como "um certo consolo". Tem tudo a ver com o filme, ainda marcado pela dupla perda que o herói sofreu no anterior, Cassino Royale.
Pela primeira vez na franquia, um filme funciona como seqüência de um outro, começando apenas uma hora depois da morte de Vesper, a bondgirl interpretada por Eva Green. Vesper não apenas morria, como o herói descobria sua traição. Ela o amava, ou não? 007 é um homem torturado pela dúvida que lhe produziu a quebra de confiança. É um personagem complexo. Exige um ator que represente de verdade. É onde entra a experiência teatral de Daniel Craig.
Ele confessa que tem sentido falta do palco, e diz que vem do teatro a obsessão perfeccionista que o leva a querer repetir as cenas, dramáticas ou de ação, mesmo depois que o diretor já se deu por satisfeito. Daniel transformou o sucesso em liberdade de escolha.



