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Sintonia Fina

John Adams e a nossa inveja

Há vários motivos para invejar os norte-americanos. Um deles é o verdadeiro orgulho com que eles tratam a história de seu país. Ninguém, aqui pelas bandas do sul, tem tamanho respeito pela trajetória dos "fundadores da nação" como têm os americanos. Fale em Jefferson, Washington ou Benjamin Franklin e você estará falando de alguém que eles consideram um verdadeiro herói.

A diferença de como eles e nós vemos a história faz sentido: do lado de lá, os homens e mulheres que formaram o novo país estavam realmente empenhados em construir algo novo, diferente da velha Inglaterra de onde haviam saído. O continente americano era uma chance de deixar os velhos erros para trás. E a Independência, com a belíssima declaração de que todos têm direito a buscar a felicidade, foi um marco na história da humanidade.

Fomos menos felizes: nossa Independência foi um arranjo para evitar que um príncipe cruel tivesse de responder ao povo português, que havia dado fim ao poder autoritário do rei. E vários dos homens responsáveis pela criação do Brasil queriam apenas manter o mesmo tipo de poder que tinham antes da separação de Portugal. Os Estados Unidos se inspiraram na Revolução Francesa. Nós fizemos uma contra-revolução.

Fato é que tudo o que diz respeito à origem dos EUA causa comoção no país. Agora, a HBO – que se especializou em contar a história americana, em séries como Band of Brothers e Generation Kill – decidiu botar o dedo nesse período. E o resultado é a série John Adams, exibida às terças, sextas e domingos no Brasil.

Para digerir os sete capítulos é preciso, antes de mais nada, filtrar o ufanismo dos roteiristas. A história, embora não caia na tentação de tornar todos os seus personagens santos, tem a tendência de puxar a sardinha para o lado dos norte-americanos. Não chega a ser um samba-exaltação, mas às vezes beira isso.

O centro da história é o segundo presidente norte-americano. Muito menos conhecido do que seus pares, John Adams era um advogado de Massachussets que, um ano antes da revolução contra a Inglaterra, é chamado a participar do congresso na Filadélfia que decidiria como as 13 colônias reagiriam aos abusos britânicos.

Adams, que morava em Boston, a cidade onde os conflitos com os ingleses haviam começado, se torna um dos defensores da teoria de que não é possível negociar: a independência é o caminho a ser tomado. Dono de boa retórica, ganha a parada e coloca seu nome entre os revolucionários. E, quando Washington assume a presidência, ele é convidado a ser seu vice. Oito anos depois, ele próprio se torna presidente.

A história é contada de maneira competente e convence. Os milhões investidos garantem uma reconstrução história fantástica – além de um elenco cheio de bons atores. É uma boa pedida para quem quer entender melhor o período revolucionário que mudaria a história da humanidade, que começa no fim do século 18 e vai até o início do 19. Para quem quer saber um pouco mais da história do império que dominou o mundo, também serve. Mas serve, principalmente, para aumentar a nossa inveja do jeito que os Estados Unidos nasceram.

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Serviço

John Adams é exibido pela HBO Brasil às terças (20h45), sextas (10h) e domingos (por volta das 23h).

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Rogerio Waldrigues Galindo é editor de Vida e Cidadania.

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