Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Livro

Jornalista italiana desvenda a obsessão feminina por sapatos

Marilyn Monroe não resistiu e roubou uma salto altíssimo de um estúdio de Hollywood e o batizou de "fuck me shoes" convenientemente. Imelda Marcos, mulher do ditador filipino Ferdinando, não colecionava 3 mil pares como a oposição alardeava. "Apenas" 1.060. A atriz Audrey Hepburn era tão feliz e poderosa com seu 1,75m que preferia calçados baixos. Não é que Salvatore Ferragamo inventou as sapatilhas para ela? Carrie, de "Sex and the city", implorou ao ladrão: "Pode levar a bolsa, o anel, o relógio, mas deixa meu Manolo Blahnik!".

Este são apenas alguns dos vários exemplos da implacável paixão das mulheres por sapatos. Foram todos pescados pela repórter da "Vanity fair", Paola Jacobbi, para seu livro "Eu quero aquele sapato! Tudo sobre uma obsessão feminina", que a editora Objetiva acaba de lançar no Brasil. O país é o primeiro a ter uma versão estrangeira do livro que conquistou o mercado italiano em setembro do ano passado e vai ser editado em mais 11 países, incluindo Japão e Taiwan. O que prova que paixão por um belo calçado ultrapassa a fronteira ocidental.

"Eu quero aquele sapato" é dividido em capítulos que explicam tudo sobre cada modelo e tem uma linguagem simples e direta, sem ser didática. É para quem apenas se reconhece como apaixonada por calçados e não uma colecionadora compulsiva. Serve, principalmente, para a mulher entender porque não resiste a um belo par da vitrine. Ou ter, ainda, argumentos para o parceiro do porquê ele possui apenas dois pares de verão e dois para o inverno. Enquanto você tem pelo menos dez vezes mais o número de calçados.

Paola, que é repórter de celebridades em Milão, ensina a identificar que tipo de mulher usa qual sapato, o que pensa quem usa um salto carretel, por exemplo, e como surgiu cada modelo. A idéia deste seu primeiro livro surgiu, adivinhem, depois de Paola se deparar com uma bela promoção de marcas incríveis como Gucci, Ferragamo, Blahnik e Hermès.

- Foram vários encontros com minha editora para achar o tema do livro. Em uma das reuniões vimos na frente do Café uma banca com sapatos pela metade do preço. Eco! - conta Paola por telefone de Milão, onde se familiarizou com moda graças à famosa Semana de Moda na cidade e ao talento dos designers italianos. - Mas sempre comprei livros sobre sapatos quando viajava. A pesquisa já estava pronta.

Ao rever os livros de sua coleção e entrevistar entendidos no assunto, Paola se surpreendeu apenas com uma informação: a de que o amado e/ou odiado salto alto foi inventado por um homem. Luís XIV, rei da França entre 1643 e 1715, era muito baixo e precisava usar salto.

"Sendo como era, não se satisfez com uma mera elevação, mas mandou que lhe fizessem saltos com miniaturas de batalhas famosas ou cenas idílicas", descreve o livro. E completa também que o verdadeiro rei dos saltos foi Roger Vivier, designer francês dos anos 30. "Em 1953, passou a colaborar com Christian Dior e outros estilistas importantes". Foram os primeiros passos com os quais as mulheres aprenderam a falar de sexo com os sapatos.

Já no segundo capítulo, a escritora recorre ao badalado seriado de TV "Sex and the city" para comprovar as duas principais fraquezas femininas: homens e sapatos. Para Paola, o encontro daquelas balzaquianas solteiras, inteligentes e modernas só ajudou a popularizar a obsessão da mulher, seja por um Manolo - popularizado por Carrie, personagem de Sarah Jessica Parker - ou por um bom par de tênis.

Entre as mulheres famosas citadas no livro, Paola indica Audrey Hepburn como o ícone maior da relação mulheres e sapatos. Nem Imelda, que virou sinônimo para as mais obsessivas, nem Marilyn Monroe com seu poderoso salto agulha, chegam perto da nossa eterna "Bonequinha de luxo".

- O sapato boneca foi inventado para ela, pensando nela, e até não hoje não sai de moda. É uma indicação de estilo.

Filha de pai italiano, o crítico e diretor de teatro Ruggero Jacobbi, e mãe brasileira, de Santa Catarina, Paola adora o Brasil. Passa férias de fim de ano por aqui e sempre traz uma lista de encomendas de suas amigas onde estão incluídos pedidos de... Havaianas. Mas por que elas não entraram no livro? Nem no capítulo dedicado a sandálias e chinelos, a nossa mais poderosa marca de calçados está lá.

- Só fui sentir falta quando entrevistei Gisele Bündchen em Nova York e ela calçava as sandálias Grendene com sua marca e me lembravam muito as Havaianas. Me dei conta da importância do culto aos chinelos mas era tarde, o livro estava fechado. Quem sabe em uma próxima edição.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.