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Eletrônica

LCD Soundsystem traz guitarras para as pistas

A idéia de "banda" não faz muito sentido quando o assunto é LCD Soundsystem, que acaba de lançar no Brasil seu segundo álbum, Sound of Silver. Melhor dizer que a banda é um projeto criado pelo produtor nova-iorquino James Murphy, dono da badalada gravadora DFA Records, um dos principais articuladores de novas cenas musicais (vide a banda The Rapture) e um DJ de mão cheia. Entre outras coisas.

Murphy e o LCD chamaram a atenção dos críticos em 2002, com o lançamento do single "Losing My Edge". Três anos mais tarde, O DJ reuniu os singles e as canções inéditas no aclamado álbum duplo auto-intitulado, consolidando-se como um dos nomes mais curiosos da intersecção rock e dance, que já foi chamada de disco-punk, indie-dance, disco-punk, e assim por diante (da qual, só este ano, podemos citar Klaxons, Hot Chip, Panic!...)

O LCD Soundsystem já fez duas apresentações no Brasil: no Sonarsound, em 2004, e no Skol Beats do ano passado. Os fãs tupiniquins vão poder conferir o som do grupo novamente este ano, já que o LCD estará em novembro em São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília. Atualmente, o grupo está em turnê com o Arcade Fire, com quem gravou um disco que é vendido somente no site das duas bandas.

A base sonora de Sound of Silver é a explosão disco-punk do final dos anos setenta, como já fica claro com "Get Innocuous", que abre o CD com batidas poderosas, pegada retrô e vocais psicodélicos. Murphy não poupa referências, passando por David Bowie, Kraftwerk, Talking Heads, Pink Floyd, pós-punk e disco music. Não surpreende que, de uma faixa a outra, a impressão é de estar escutando um outro disco.

Mas esse ecletismo, longe de se tornar um problema, é um dos pontos fortes do LCD Soundsystem. O álbum prossegue com as ótimas "North American Scum", primeiro single e um dos momentos mais rock; e "Someone Great", perfeita para as pistas com seu bom jogo de sintetizadores (qualquer semelhança com Kraftwerk ou New Order não é mera coincidência).

O CD fecha como uma balada irônica: "New York, I Love You But You're Bringing Me Down". Lenta e bem resolvida, a canção destrincha o descontentamento geral que o produtor e seus conterrâneos sentem em relação à sua cidade natal. Depois de uma fase na qual o novo rock e a cena clubber fervilhavam, a cidade viveria atualmente uma fase de sombras e marasmo. Talvez. Mas ainda bem que Sound of Silver está aí para provar que nem tudo está perdido na Big Apple. GGGG

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