
Já não surpreendem como antes as jovens garotas bonitas que, enquanto aguardam o dia em que finalmente completarão seus 18 anos, atingem ouvidos de países distantes com suas vozes potentes, não raramente moldadas à la Amy Winehouse, na tentativa de preencher o espaço aberto pela musa problemática. Há uma porção delas em Londres Adele e Duffy vêm facilmente à mente.
A Austrália também louva sua representante nesse crescente grupo: Ela é Gabriela Cilmi, cantora e compositora de 17 anos, de ascendência italiana denunciada nos traços do rosto, que desbancou Kylie Minogue como melhor artista feminina e faturou outros cinco troféus no prêmio Aria, dado pela Associação da Indústria Fonográfica Australiana.
O álbum de estréia da moça de Melbourne, Lessons to Be Learned, foi gravado em Londres, pelo time da produtora Xenomania (que já trabalhou com Cher e Minogue). Embalado pelo single "Sweet About Me", que a lançou ao topo da parada australiana (batendo o recorde de mais nova artista a conseguir o feito) e à oitava posição entre os European Hot 100 Singles da Billboard, o CD chega ao Brasil como a nova aposta da gravadora Universal.
Viciante como um single precisa ser para garantir o sucesso radiofônico, a canção, colorida por gaita e xilofone sobre a batida da bateria, proclama no refrão incessante como a doçura não é o principal de atributo de Gabriella. "Nothing sweet about me", canta a garota.
A voz de Gabriella raramente denuncia sua idade, menos ainda quando mais se aproxima do timbre de Amy, como no segundo single, "Save the Lies", que abre o disco. A australiana compartilha a influência jazzística da inglesa e, em menor medida, sua atitude incisiva ("You better treat me nice/ Or I'll come back to bite"), embora soe bem mais pop. Um dos melhores momentos do disco, em que a letra reflete uma maturidade precoce, porém, que não extingue suas dúvidas juvenis, vem em "Einstein". Na canção, ela canta o quanto gostaria de ser inteligente como o físico para nunca precisar perguntar o porquê da vida e da morte.
Não há dúvida de que Gabriella tem vocais impressionantes e potencial como cantora e compositora, se sair da sombra das que vieram antes dela, em que se colocou, em busca de uma autonomia maior, para forjar sua própria identidade desgarrada de tendências.



