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Literatura

Nabokov dá curso sobre como ler livros clássicos

“Lições de Literatura” reúne aulas que o autor de “Lolita” deu nos EUA sobre grandes escritores dos séculos 19 e 20

Nabokov gostava de pregar peças nos alunos de literatura. | Giuseppe Pino/Wikimedia Commons
Nabokov gostava de pregar peças nos alunos de literatura. (Foto: Giuseppe Pino/Wikimedia Commons)

Antes de provocar o mundo com “Lolita” (1955), Vladimir Nabokov passou uma década e meia atiçando estudantes.

“‘Acariciem os detalhes’, o escritor costumava dizer, enrolando o ‘r’. Sua voz era a rude carícia da língua de um gato”, relata um ex-aluno no prefácio de John Updike para “Lições de Literatura”. As aulas sobre literatura europeia dos séculos 19 e 20 dadas por Nabokov (1899-1977) saem agora pela Três Estrelas, selo editorial do Grupo Folha. Elas se seguem a “Lições de Literatura Russa”, lançado no ano passado e fruto da mesma aventura acadêmica.

Foi no início dos anos 1940, recém-chegado aos EUA da Europa, que ele criou o curso de literatura russa do Wellesley College, em Massachussetts. Mais tarde, na Universidade Cornell, em Nova York, para onde foi em 1948, elaborou esquemas sobre grandes autores ingleses, russos, franceses e alemães dos séculos 19 e 20.

Jane Austen, Charles Dickens, James Joyce, Robert Louis Stevenson, Gustave Flaubert, Marcel Proust e Franz Kafka foram alguns dos autores tratados nas aulas, concorridas e enérgicas.

“O professor insistia em mudar todas as traduções e desenhava diagramas fantásticos instruindo jocosamente os alunos a copiá-los com exatidão”, diz Updike no texto que acompanhou a edição original das aulas, em 1980.

O autor americano conta, por exemplo, que o crítico Edmund Wilson teve de insistir para que Nabokov usasse textos de Austen nas aulas.

“Não gosto de Jane e, na verdade, tenho ‘parti pris’ com relação a todas as escritoras. Elas pertencem a outra classe”, escreveu Nabokov em resposta à sugestão.

Mas o escritor se rendeu a “Mansfield Park” e abriu com o romance de Austen sua série de palestras, costuradas pela admiração pessoal e pela reafirmação da ficção e da fantasia na literatura. “Uma criança para quem lemos uma história pode perguntar se ela é verdadeira. E, se não for, a criança pode exigir uma que seja”, disse Nabokov. “Mas não devemos perseverar nessa atitude infantil em relação aos livros que lemos.”

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