
Primeiro disco solo de Marilia Giller, Avalanche marca 30 anos de carreira da pianista, que também é professora e pesquisadora da Faculdade de Artes do Paraná.
Gravado com o trio base formado por Ian Giller Branco e Allan Giller Branco, filhos da musicista, junto com convidados, o álbum traz composições que remetem às primeiras gravações de Marilia com o grupo Sotak, na década de 90. Mas também traz um mergulho nas referências e conceitos novos da pianista.
Um deles é o "jazz friction", uma alternativa ao termo jazz fusion que define o hibridismo entre o jazz e o rock. Informada pelas ideias do musicólogo Acácio Piedade, Marilia acredita que o jazz e a música brasileira não se misturam e provocam uma fricção musical. Atrito que, por sua vez, também dá início às avalanches, o conceito que passou a amarrar as faixas do CD após a morte de um de seus principais idealizadores, Emerson Antoniacomi, no meio da produção.
Influenciada pelo jazz fusion de nomes como Joe Zawinul (1932-2007) e Weather Report, Marilia colocou os sintetizadores e guitarras à frente nos temas três deles com participação do guitarrista Scott Henderson, da banda americana Tribal Tech. Dos ritmos brasileiros, a musicista incorporou frevo, choro, samba, marcha e bossa nova.
"Bandas como a do Scott [Henderson] foram nomes que ouvimos muito em casa e que dão toda a nossa roupagem. Vestem a minha música, de certa forma. E trago nossa brasilidade, que vai dando essa fricção", explica Marilia. Para a musicista, a parceria com Ian e Allan é fundamental no resultado. "Eles têm uma linguagem muito diferenciada de quem é só do jazz", explica. "Em qualquer viagem que surge espontaneamente para dentro da música, eles vêm sem hesitar. Nossa música tem espaço para isso."




