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Mecenas financia restauro de obra-prima

Pintura de Piero di Cosimo: custo da viagem da obra para ser restaurada foi arcado por um estudante de arte | Reprodução
Pintura de Piero di Cosimo: custo da viagem da obra para ser restaurada foi arcado por um estudante de arte (Foto: Reprodução)

Mergulhado em permanente crise financeira que o levou até a atrasar a conta de luz há seis anos, facilitando o roubo de duas obras de Picasso e Portinari, o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) guarda em seu cofre alguns dos principais itens de seu acervo, mais de 8 mil obras que integram a maior coleção de arte europeia da América Latina. A maioria delas há anos não vê a luz do dia. Desse acervo, pouco mais de duas centenas de trabalhos são expostas ao público.

Perdem os visitantes que vão ao Masp atraídos pelo acervo e saem decepcionados sem ver, por exemplo, telas como o Autorretrato de Gauguin (Perto do Gólgota) e O Torso de Gesso de Matisse.

A ausência de algumas obras-primas das paredes ocorre principalmente pela ocupação da sede do museu com mostras temporárias, desvirtuando a missão que norteou a fundação do Masp, a de expor permanentemente seu acervo e educar visualmente o público brasileiro com a valiosa coleção.

Um exemplo gritante é o trabalho do renascentista Piero di Cosimo (1461-1521), Virgem com Menino, São João Batista Criança e um Anjo (1500-1510), óleo sobre madeira que não é exposto há tempos por estar em más condições.

Felizmente, a pintura de Piero di Cosimo foi apadrinhada por um jovem estudante de 23 anos que, durante uma aula ministrada no auditório do museu, ficou comovido com a história do tondo, oferecendo-se para pagar as despesas referentes ao transporte e seguro da pintura, que vai para Roma ser restaurada por uma das maiores especialistas italianas no período, Paola Sanucci, diretora da Superintendência de Bens Artísticos em Roma.

O jovem mecenas brasileiro, Inácio Bittencourt Rebetz Schiller, é um exemplo que pode estimular outros frequentadores, alarmados com o lamentável estado das instalações do museu, a sujeira de suas paredes externas e o precário estado de obras que são patrimônios da humanidade, como o tondo de Di Cosimo.

Recentemente, o Bank of America Merril Lynch investiu R$ 140 mil na restauração da tela Moema (1866), de Victor Meirelles, obra emblemática da construção do espírito indianista na arte brasileira. Outra obra-prima do Masp que teve há três anos sua cores recuperadas é Himeneu Travestido Assistindo a uma Dança em Homenagem a Príapo (1634-38), de Poussin, restaurada pela brasileira Regina da Costa Pinto Dias Moreira sob os auspícios do Museu do Louvre, parceiro do Masp.

O Masp criou o programa de restaurações incentivadas visando doadores como Inácio Schiller. O fundo de investidores vai desembolsar R$ 180 mil para as despesas do restauro.

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