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Cinema

Memórias de um espião

Consagrados pelo Oscar, os irmãos Ethan e Joel Coen retornam à comédia com o muito divertido Queime Depois de Ler

Brad Pitt quase rouba o filme como um hilariante personal trainer descerebrado | Divulgação
Brad Pitt quase rouba o filme como um hilariante personal trainer descerebrado (Foto: Divulgação)

Depois da consagração de Onde os Fracos não Têm Vez, que lhes deu Oscars de melhor filme, direção e roteiro adaptado, os irmãos Ethan e Joel Coen resolveram relaxar e retornar a um de seus gêneros favoritos: a comédia. Queime Depois de Ler, que estréia hoje no Brasil, não chega a ser tão genial quanto Arizona Nunca Mais ou Fargo, mas é diversão garantida.

Com um roteiro engenhoso e cheio de reviravoltas, muitas delas à beira do absurdo, o filme – sucesso de bilheteria internacional, com US$ 128 milhões acumulados até agora – é uma engenhosa sátira à CIA.

A trama faz uma corrosiva crítica às trapalhadas cometidas, em nome da "segurança nacional e do mundo livre", pela agência de inteligência americana que se ocupa de assuntos estratégicos dos Estados Unidos no exterior.

Quando um espião da casa (John Malkovich, em grande forma), encarregado de trabalhar na região dos Bálcãs, é "aposentado" por beber (e falar) demais, a mágoa do afastamento o leva à vingança.

Ele decide escrever o que julga serem suas "explosivas memórias", para escárnio da esposa, uma médica fria e calculista (Tilda Swinton, num papel quase idêntico ao que lhe rendeu o Oscar de coadjuvante por Conduta de Risco).

Ela o trai com um ex-policial federal (George Clooney, impagável), adúltero compulsivo que coleciona amantes e sex toys (uma das melhores surpresas do filme), embora diga-se apaixonado pela mulher, uma doce escritora de livros infantis.

Cirurgia plástica

A confusão tem início quando o CD com os originais do que seria a autobiografia do espião desaparece e vai parar nas mãos de uma mulher de meia-idade, carente e sem dinheiro para uma série de cirurgias plásticas (Frances McDormand) e de um personal trainer descerebrado (Brad Pitt, hilário), ambos funcionários de uma academia de musculação.

Embora seja (aparentemente) oco e não pretenda, em tese, falar sobre nada de muito relevante, Queime Depois de Ler atesta a inegável habilidade dos Coen em criar histórias e personagens que não cessam de surpreender, sem falar dos diálogos, sempre muito afiados e inteligentes.

No caso deste e de muitos dos filmes da dupla, a forma não apenas se sobrepõe ao conteúdo. É quase a razão de ser das produções, exercícios de estilo que cativam o espectador ainda que não provoquem muito mais do que boas risadas e a ilusão de viver em mundo regrado pela inteligência. GGG1/2

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