
Quando completou 30 anos de carreira, em 1992, Bob Dylan foi homenageado com um grande show no Madison Square Garden, em Nova York. Johnny Cash, George Harrison, Lou Reed, Eric Clapton, Johnny Winter e Willie Nelson foram alguns dos artistas que dividiram o palco com o aniversariante, na apresentação que acabou batizada de "Bobfest" por Neil Young, outro convidado ilustre e padrinho de plantão.
Nessa ocasião, Dylan tinha 50 anos de idade e mal podia imaginar que dali a 20 estaria celebrando cinco décadas novamente. A matemática parece estranha, mas faz sentido. Isso porque, no início do mês passado, Nova York festejou com o músico os 50 anos de seu primeiro show na cidade. Teria sido em abril de 1961, três meses após deixar sua cidade natal, Duluth, em Minnesota, que o rapaz de 19 anos, então chamado de Robert Allen Zimmerman, subiu pela primeira vez ao palco do Gerdes Folk City, reduto boêmio do Greenwich Village, em Manhattan, frequentado por beatniks e fãs de folk e blues.
Fato é que, a cada década de idade ou carreira aniversários de discos e shows também entram nessa conta , Bob Dylan vira alvo dos holofotes e garantia de lucro certo para as indústrias fonográfica e editorial. Em seu aniversário de 70 anos de idade, celebrado na próxima terça-feira, 24, a "comemoração" não poderia ser diferente.
No exterior, chegaram este mês às lojas versões em blu-ray dos documentários Dont Look Back (1967) e The Other Side of the Mirror: Bob Dylan at Newport Folk Festival, 1963 1965 (2007). Para ouvir, a Sony Music internacional lançou o CD Bob Dylan in Concert Brandeis University 1963. Para ler, duas biografias se destacam entre os lançamentos literários The Ballad of Bob Dylan: a Portrait, de Daniel Mark Epstein e a reedição de No Direction Home A Vida e a Música de Bob Dylan, do ex-crítico do New York Times Robert Shelton, aqui publicada pela Larousse do Brasil.
Pretextos numéricos para celebrar e vender a obra de Bob Dylan, como seu septuagésimo aniversário, não faltam. Não faltarão mesmo após sua morte, pois seu legado musical é atemporal e apesar de analisado, interpretado e digerido a partir de milhões de pontos de vista academias mundo afora, os mistérios de uma das mentes mais extraordinárias da música popular não foram satisfatoriamente desvendados por ninguém.
Revisar parte desse legado, felizmente ainda inacabado, e registrar as impressões de quem ouve e se influencia pela obra de Bob Dylan é o que move esta edição do G Ideias. Além do violão, da harmônica e da voz fanha e rouca do velho Dylan saindo do alto falante mais próximo.




