O local já sediou bailes de gafieira e concursos de travestis, funcionou como casa noturna destinada ao público country e aos fãs de axé music, mas, está, aos poucos, está retornando às origens metaleiras que marcaram sua trajetória em meados dos anos 80. Trata-se do extinto Clube Operário, atualmente batizado de Ópera 1, que sedia hoje, a partir das 22h30, a reabertura do circuito local de shows de heavy metal e seus subgêneros, com a presença das bandas alemãs Destruction, Atrocity e Leaves Eyes, da paulistana Scars e da curitibana Jailor.
Em uma parceria com a gravadora paulista Tumba Records, o selo curitibano Marhceco Records incluiu a capital paranaense na rota da turnê do trio de bandas alemãs, representantes de diferentes gêneros do heavy metal e donas de públicos bastante distintos. "Escolhemos o Ópera 1 para tentar resgatar a relação da casa com o público metaleiro da cidade, que lotava o lugar na época em que o metal vivia seu auge, nos anos 80", explica Roger Vivekananda, produtor da Marhceco.
A velha guarda do metal da cidade deve marcar presença maciça durante o show da banda Destruction, formada em 1983, pelo baixista e vocalista Marcel Schirmer e o guitarrista Mike Sifringer. Considerada parte integrante da chama "trindade do trash metal alemão" ao lado das bandas Kreator e Sodom, o Destruction logo conquistou o público fã do gênero com os álbuns Eternal Devastation (1986) e Release from Agony (1988), segundo e terceiro títulos de sua discografia, respectivamente. Desde então, o grupo passou por diversas mudanças ne formação o vocalista chegou a sair do grupo em 1989 para formar a banda Headhunter e administrar um restaurante mas, em 2000, o Destruction voltou a ser composto pelos dois integrantes originais, lançando o disco All Hell Breaks Loose, no mesmo ano. No show de logo mais, os fãs "das antigas" poderão conferir canções do mais recente álbum da banda, Inventor of Evil, lançado no ano passado, além de clássicos oitentistas.
Enquanto o Destruction faz a linha mais tradicional do heavy metal, as outras duas atrações alemãs possuem trajetórias bem distintas. Formada pelo vocalista e cabeça-pensante Alexander Krull, em 1985, a banda Atrocity apresenta diversas tendências musicais somadas ao heavy metal ao longo de suas mais de duas décadas de estrada. Com um início marcado pelo death metal, o Atrocity incoporou influências góticas no início dos anos 90, com letras vampirescas e um videoclipe gravado na Transilvânia. Em 1996, o grupo ainda chegou a lançar um álbum de covers para hits oitentistas como "Shout" (Tears for Fears), "Lets Dance" (David Bowie), "Tainted Love" (Soft Cell), entre outras. Em seu mais recente disco, Atlantis (2004), décimo de sua discografia, a banda utiliza como tema principal a história mística da lendária cidade de Atlântida.
Já a novata Leaves Eyes, formada há pouco mais de dois anos, é a banda liderada por Liv Kristine, mulher de Alexander Krull, do Atrocity. Na formação, estão os mesmo músicos do grupo de Krull, com a diferença da soprano no vocal e das influências de new age, metal gótico e música folclórica escandinava. Metal para ninguém botar defeito.



