
Michael Jackson emplaca meio século de vida nesta sexta-feira com uma grande dúvida no ar: como recomeçará sua carreira? Depois de ter seu nome arrastado na lama durante o processo por abuso sexual de menores há três anos, a grande dúvida é esta. Desde finais de 2006 há notícias recorrentes sobre uma longa temporada num dos cassinos de Las Vegas, mas persistem dúvidas sobre o desgaste de imagem.
Houve notícias de negociações envolvendo a cifra de US$ 200 milhões para uma temporada na capital americana da jogatina. O contrato seria com o Las Vegas Hilton, da empresa de investimentos Colony Capital, a mesma que evitou a perda do rancho de Neverland, na Califórnia, pertencente a Jackson, por falta de recursos para mantê-lo aberto. Assim, Michael deve à Colony e as três propostas que lhe fizeram incluem a construção de um teatro especial para ele batizado de "Thriller".
Duas outras opções foram um espetáculo com seus sucessos semelhante a "Love - The Beatles" encenada em Las Vegas pelo Cirque du Soleil. Ou um show beneficente que promoveria um novo cassino chamado Thriller, temático em cima da carreira de Michael.
O cantor já discutiu várias vezes a idéia de se apresentar em Las Vegas e teria ficado mais animado depois da boa recepção ao relançamento de "Thriller" em fevereiro último. Se fechar negócio, de sua cabeça megalômana já saiu a idéia de construir um robô de 15 metros com sua réplica que vagaria pelo deserto de Nevada nas proximidades de Las Vegas arremessando raios laser. O designer Andre Van Pier disse ao jornal "Daily News" que criou os planos do robô que Jackson viu e adorou.
Os empresários da Colony não pensam para Jackson algo como fez a cantora Celine Dion, que se apresentou 20 semanas por ano no teatro Colosseum, construído para ela dentro do cassino Caesar's Palace. Para Jackson eles aceitariam até uma escassa presença de 20 shows por ano porque acreditam que ele não tem estrutura para segurar uma temporada longa como Celine.
Quanto à volta ao mercado fonográfico, de vez em quando aparecem notícias de que ele está trabalhando num álbum com expoentes da música negra atual. No lançamento da edição de 25 anos de "Thriller" em fevereiro último estavam remixes feitos por Kanye West, Akon e will.i.am. Michael fez o anúncio do novo álbum em dezembro do ano passado para a revista Ebony. Também houve notícias de que o primeiro single sairia agora, em agosto. Até agora nada.
O único lançamento a se concretizar é mais uma coletânea, batizada de "King of pop", com um viés interativo alusivo aos tempos atuais. Os fãs de cada país votam em suas músicas favoritas e as 14 mais votadas entram numa coletânea personalizada para aquele país. Aqui no Brasil a votação está sendo feita até hoje no site do canal Multishow em combinação com a gravadora Sony Music. Os fãs podem escolher entre 118 músicas para eleger as 14 da versão brasileira que sai em outubro.
A grande dúvida que vem sendo veiculada nos Estados Unidos é se o nome dele ainda não estaria queimado devido às acusações de que abusava sexualmente de menores. Mesmo inocentado, o processo trouxe revelações embaraçosas de que ele dormia na mesma cama que as crianças, levadas a Neverland por pais deslumbrados e/ou gananciosos que entregavam seus filhos a Jackson.
Ele poderia voltar pela Europa, Ásia e América Latina para sondar a receptividade e tentar criar um ambiente de expectativa na América para sua volta triunfal. Um dos problemas é que Michael não pode ter um retorno meia bomba, muito menos um disco que sofra para chegar ao milhão de cópias no lançamento, sob pena de ser bombardeado como um total perdedor. Uma mudança de imagem faria bem, apresentá-lo como um artista adulto sem esquisitices mas, pelo currículo, Jackson pode ter chegado a um ponto sem retorno.



