
Cria da Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Miguel Falabella resgatou o ambiente de sua infância em Pé na Cova, seriado que escreveu e em que atua como o protagonista Russo, dono de uma funerária do Irajá.
"Lembro muito da Ilha, quando eu brincava atrás do cemitério da Cacuia. Ia pegar fruta lá e diziam que vinha grudada com o morto. Pé na Cova é uma volta a esse subúrbio de forma mais apocalíptica. No seriado que a Globo estreia dia 24 de janeiro, Russo é o patriarca de uma família paupérrima com ares de Adams. Vive às turras com a ex-mulher alcoólatra Darlene, interpretada por Marília Pêra, é pai de Odete Roitman (Luma Costa) e "sogro" de Martnália, que namora sua filha.
"Todos são loucos. O seriado é diferente de tudo o que já fiz em televisão, tem um outro registro. Eles são exacerbados. Não na interpretação, mas na pobreza, na desinformação. Tem uma empregada que chega tardíssimo porque mora longe e diz: Eu me atrasei porque caiu um prédio lá perto de casa e fiquei esperando para ver se tinha alguma coisa que eu pudesse pegar", adianta ele, aos risos.
Entre a gravação de uma cena e outra, o ator tocou guitarra e até bateria no cenário do folhetim. Aos 56 anos, Miguel explica que o texto do seriado é essencialmente cômico. Mas pontilhado de reflexões existenciais. "A primeira frase do programa é um close meu dizendo: Depois dos 50, o homem passa a viver com a morte. É um processo pelo qual todo ser humano passará, o momento em que você pela primeira vez vislumbra a velhice. De repente você percebe que as coisas têm fim, que seus objetivos têm que ser preenchidos."



