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ROCK

“Minha vida sempre é uma bagunça”

Pitty mantém estilo confessional e revela duplicidade de sentimentos em Chiaroscuro, terceiro disco da cantora

Pitty e a banda: para ela, música ganha mais sentido quando é “doída” e feita “à flor da pele”.  Novo disco é lançado depois de uma pausa de quatro anos fora dos estúdios | Caroline Bitencourt/Divulgação
Pitty e a banda: para ela, música ganha mais sentido quando é “doída” e feita “à flor da pele”. Novo disco é lançado depois de uma pausa de quatro anos fora dos estúdios (Foto: Caroline Bitencourt/Divulgação)

As coisas estão aparentemente bem para Pitty. Ela acaba de lançar seu terceiro disco, Chiaroscuro. Está consolidada como uma das principais vozes do rock nacional e parece ter encontrado equilíbrio na vida amorosa – o namoro com o baterista do NX Zero, Daniel Weskler, segue firme e tranquilo, a julgar pela presença dos dois na festa de premiação do prêmio Multishow, na última terça-feira, no Rio de Janeiro.

Quem ouve as canções de Chiaroscuro, porém, tem outra percepção. Na mesma linha dos trabalhos anteriores, Admirável Chip Novo (2003) e Anacrônico (2005), Pitty fala sobre desilusões e angústia adolescente. "Eu, chorando, tão previsível quanto areia no deserto, mais patético sem ninguém por perto...", canta em "Água Contida".

Mesmo quem não é fã, é tentado a procurar conexões entre a obra de Pitty e sua vida pessoal. E elas existem. A própria Pitty admite: "As letras podem não ser necessariamente autobiográficas, mas surgem, sempre do meu ponto de vista das coisas", diz a cantora.

É um discurso que não é novo. Mesmo na aparente calmaria, vários demônios podem nos rondar no cotidiano. "A vida é sempre boa e ruim ao mesmo tempo pra todo mundo. E eu sempre fui meio angustiada: eu sinto muito, sinto as coisas todo tempo."

Mesmo quando as coisas estão longe de serem uma bagunça completa? "Minha vida sempre é uma bagunça", responde Pitty.

Entender o trabalho da cantora, que completa 32 anos em outubro próximo, portanto, é cerrar fileiras contra o poeta fingidor. Para Pitty, não basta que o ouvinte sinta. O artista, para ela, está ligado de forma intrínseca à sua arte e sua dor. "Rendo mais quando estou nessa coisa à flor da pele. As músicas são mais literais e mais doídas. Como ouvinte, tenho predileção por quem produz assim também."

Ao que parece, a cantora conseguiu transportar essa sinceridade para Chiaroscuro. "Piramos demais nesse disco e deu certo. Estou muito feliz com o resultado. Eu ouço este disco e sei que fiz do jeito que eu queria."

Chiaroscuro sai depois de quatro anos sem trabalhos autorais da cantora. Nesse tempo, porém, a banda não ficou parada. Passou em turnê a maior parte do tempo e lançou o CD/DVD {Des}Concerto: Ao Vivo. Pitty também gravou uma participação em "The Kill", da banda americana 30 Seconds to Mars . "Ao longo desse tempo sempre escrevi. Fiz alguns riffs. Mas não era nada muito certo, muito consolidado."

O álbum tomou corpo com a participação da banda toda, como costuma ser. "Eu chego com as letras e alguns arranjos, aí os meninos trabalham em cima e a gente dá uma cara para tudo isso."

A diferença, dessa vez, está no fato de que o disco foi todo gravado no Estúdio Cabo da Goiabeira – que, nada mais é, do que um espaço na casa do baterista Duda.

A produção é de Rafael Ramos, que mandou o registro para ser masterizado em Los Angeles pelas mãos do engenheiro Brian Gardner, que já trabalhou com figuras como David Bowie, Foo Fighters e Prince.

As colocações de Pitty sobre a percepção da alegria e da tristeza nos mesmos momentos aparecem, não por acaso, no nome da obra. ‘Chiaroscuro’ é uma palavra italiana para ‘claro/escuro’ e também uma das técnicas de pintura renascentista de Leonardo Da Vinci que aposta no contraste entre luz e sombra. A turnê do disco deve se iniciar em outubro e Pitty aposta numa passagem por Curitiba. "Estou com saudades de tocar aí. Queremos muito pisar no palco novamente."

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