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Resenha

"Miss Potter" é delicioso passeio do infanto-juvenil ao drama

Londres, 1902. Beatrix Potter (Renée Zellweger), 36 anos e solteira convicta, é um problema para seus pais, Helen e Rupert (Barbara Flynn e Bill Paterson, ótimos), "culpados" de impotência e incompetência em arranjar um marido para a filha. A história da personagem real - que tornou-se uma escritora infantil de sucesso - é apresentada no filme "Miss Potter", que estréia no Brasil nesta sexta-feira (27).

Sem amigos - e já sem pretendentes -, Beatrix escapa para seus desenhos e suas histórias desde que era uma menina. Estão ali, representados em seus pequenos contos, seus verdadeiros e únicos amigos: ilustrações de coelhos, patos, camundongos. Decidida a comercializar sua obra, Miss Potter conhece Norman Warne (Ewan McGregor), e um sopro de vida preenche seu interior. E a tela também.

A entrada em cena do jovem Obi-Wan Kenobi da série "Star Wars" traz esperança de que a "Sessão da Tarde" a que estamos assistindo possa ser mais que isso. E, felizmente, é. Millie Warne (Emily Watson), irmã de Norman e solteirona como Beatrix, é o outro vértice do triângulo responsável por tirar "Miss Potter" - filme e personagem - da letargia.

Passeando muito bem pelos gêneros infanto-juvenil, romance, drama e, finalmente, melodrama, o diretor Chris Noonan (Oscar de melhor direção e roteiro pelo ótimo "Babe, o porquinho atrapalhado") costura tudo muito bem. A eterna Bridget Jones (Oscar de melhor atriz por "Cold Mountain") parece estar se especializando em solteironas inglesas afetadas, tanto para o bem quanto para o mal. Mesmo assim, é impossível resistir à história de Miss Potter e, fundamentalmente, a ela.

Através de belíssimas fotografia e trilha sonora, Miss Potter vai lutando por sua vida, por sua independência, pelo seu direito de realizar seu sonho. E leva o público com ela. "Miss Potter" é um filme despretensioso, que resulta numa delícia de assistir. Bem filmado, evita a pieguice com sabedoria e nos brinda com uma viagem a tempos antigos, com cheiro de infância e inocência. O longa cumpre bem sua função de contar uma (boa) história e emocionar o espectador. E é bom saber que Beatrix Potter (1866-1943), mais de 60 anos após sua morte, é a autora de livros infantis mais vendida no planeta. Seus desenhos, co-responsáveis pela viagem a um mundo que não existe mais, quase permitem que se agarre o que já evaporou, o que não é mais, nem nunca será.

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