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Memória

Morre o compositor Maurice Jarre

Francês, três vezes vencedor do Oscar, assinou trilhas sonoras importantes, como as de Lawrence da Arábia e Doutor Jivago

Maurice Jarre foi premiado pelo conjunto de sua obra no Festival de Berlim, realizado mês passado | Johannes Eisele/Reuters
Maurice Jarre foi premiado pelo conjunto de sua obra no Festival de Berlim, realizado mês passado (Foto: Johannes Eisele/Reuters)

O francês Maurice Jarre, premiado com o Oscar e autor de importantes trilhas sonoras de filmes, morreu em Los Angeles aos 84 anos. O compositor foi premiado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas pela música que criou para Lawrence da Arábia, Doutor Jivago e Uma Passagem para a Índia – todos dirigidos pelo cineasta britânico David Lean. Jarre trabalhou também com outros cineastas famosos, incluindo Alfred Hitchcock, Luchino Visconti e Peter Weir.

Em comunicado em que prestou uma homenagem a Jarre, o presidente francês Nicolas Sarkozy disse: "Trabalhando com os maiores cineastas do mundo, ele mostrou que a música é tão importante para o sucesso de um filme quanto são as imagens. Os trabalhos para os quais ele fez uma contribuição tão magistral fazem parte da história do cinema para sempre", disse Sarkozy.

Durante toda a manhã de ontem as rádios francesas tocaram trechos de "Tema de Lara", de Doutor Jivago, que se tornou um clássico, além da música dramática de Lawrence da Arábia. Jarre, que vivia em Los Angeles havia muitos anos, foi um dos compositores de música para o cinema de maior sucesso e mais prolíficos, tendo feito trilhas para mais de 150 filmes.

Depois de começar trabalhando com o cinema francês nos anos 1950, ele se tornou internacionalmente conhecido com a trilha sonora do épico de David Lean Lawrence da Arábia, de 1962. Seu trabalho abrangeu cinco décadas, e suas trilhas enriqueceram filmes como A Filha de Ryan, O Tambor, O Ano em Que Vivemos em Perigo, Atração Fatal , A Testemunha e Sociedade dos Poetas Mortos.

Jarre afirmava que a música deve ser um elemento fundamental de qualquer filme. "Se a música está presente apenas para destacar uma cena de ação ou de amor, ela não é realmente interessante", dizia ele. "Isso é como colocar açúcar demais num bolo." Ele recebeu o último prêmio de sua vida no mês passado: um Urso de Ouro especial do Festival de Cinema de Berlim.

"Os compositores de cinema frequentemente ficam à sombra de grandes diretores e atores", disse o diretor do festival, Dieter Kosslick, quando anunciou o prêmio para Jarre. "Com Maurice Jarre é diferente: a música de Doutor Jivago, como tantas de suas obras, é mundialmente famosa e faz parte inesquecível da história do cinema." Maurice Jarre é pai de Jean-Michel Jarre, um dos pioneiros da música eletrônica.

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