
O trombonista Raul Machado de Barros morreu na tarde da última segunda-feira (8), aos 93 anos, em decorrência de enfisema pulmonar e insuficiência renal. Autor do clássico "Na Glória", ele morava em Maricá, no litoral norte do Rio, desde os anos 1980, quando passou a alternar momentos de ostracismo com aparições episódicas.
O corpo do músico foi velado na Casa de Cultura da cidade. A última atuação pública ocorreu no carnaval deste ano, em Maricá. O enterro foi realizado hoje, no cemitério do município. Como atesta o sambista Elton Medeiros, Raul de Barros foi o responsável por colocar as médias e grandes orquestras no lugar dos pequenos conjuntos que tocavam em salões. Criavam-se ali, a partir do som limpo, alegre e gingado do trombone de Raul, os bailes de gafieira. E abria-se espaço para orquestras, como a Tabajara. Raul de Barros promoveu um salto de qualidade nos arranjos.
Do compositor Orlando Silveira, Barros ganhou o apelido de Rei da Gafieira. Sua primeira orquestra foi criada na Rádio Nacional, nos 1950. Tendo como professores Ivo Coutinho, que tocava sax-horn, e Eugênio Zanata, que tocava trombone, Raul iniciou a carreira nos anos 1930, apresentando-se em clubes do subúrbio do Rio. Era a época de ouro do rádio. Além da Nacional, passou pela Tupi e pela Globo. Começam na mesma década excursões pelo Uruguai e Argentina.
Ele gravou o primeiro disco-solo em 1948, interpretando "O Pobre Vive de Teimoso e Malabarista", de Donga. Seria o primeiro de dezenas de discos, lançados nas cinco décadas seguintes. Além de "Na Glória", é autor de "Felicidade Vem Depois", "Copacabana", "Ginga do Candango", "Melodia Celestial", "Parabéns pra Você", "Pau no Burro", "Pororó, Pororó", "Pra Moçada se Acabar", "Rock em Samba" e "Voltarás".



